Prodigy recupera dignidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de março de 2009
Thiago Ney<br> Folhapress 
Se a música eletrônica e o rock vivem hoje um estável casamento, um dos cupidos responsáveis por essa união é a banda Prodigy.
Em 1997, os ingleses tomaram as paradas do mundo com ''The Fat of the Land'', disco de faixas ao mesmo tempo violentas e dançantes, como ''Breathe'' e ''Smack My Bitch up''.
Após condensar o zeitgeist pop em um álbum, o Prodigy sumiu. Reapareceu em 2004, com o fraco e datado ''Always Outnumbered, Never Outgunned''. O Prodigy estaria ultrapassado? É a questão que o grupo parece querer responder com ''Invaders Must Die'', que agora chega ao Brasil.
Diferentemente de ''Always Outnumbered...'', em ''Invaders Must Die'' os três integrantes originais da banda estão presentes: o produtor (e cérebro) Liam Howlett, além dos vocalistas Keith Flint e Maxim Reality (estes dois retornam). Com a volta destes últimos, as músicas do Prodigy parecem ganhar foco - soam coesas, potentes, e não massas disformes como no disco anterior.
Em ''Omen'', por exemplo, o Prodigy joga na nossa cara: bem antes de Justice e Digitalism, eles já faziam multidões pularem e berrarem movidos a sintetizadores distorcidos e a batidas gordas.
Em ''Take me to the Hospital'', o Prodigy sampleia a si mesmo. A música possui trecho idêntico a ''Out of Space'', hit dos anos 1990. ''Thunder'' repete essa receita: sampleia linhas de uma obscura faixa reggae de Brentford All Stars.
Mas a banda ainda soa um pouco perdida. ''Run with the Wolves'' poderia estar num disco do Marilyn Manson. ''Piranha'' é pesada, mas, insípida, passa despercebida.
Voltamos à questão: o Prodigy está ultrapassado? Talvez. Provavelmente eles nunca mais serão colocados na ponta da dance music, nunca mais criarão algo que seja referencial para o gênero. Mas, por mais que ''Invaders Must Die'' soe retrô, saudosista até, a banda diverte e conserva a dignidade restante.
Serviço
- Invaders Must Die
Banda - Prodigy
Gravadora - Atração Fonográfica
Quanto - R$ 30


