Procurando a paz junto com a ESCOLA
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segunda-feira, 02 de abril de 2007
Reportagem Local 
Em um momento que cada vez mais pessoas estão assustadas com os recentes fatos ligados à violência na escola, fica a impressão de que faltam bons exemplos no cotidiano escolar. Contrariando essa idéia, está o exemplo de vida da estudante Gislaine Rodrigues. Com 18 anos, moradora do Jardim Santa Fé, ela encontrou na música aprendida dentro da escola uma forma de dar direcionamento aos seus sonhos.
Munida com o violão do pai - o seu está com uma corda arrebentada e ainda não sobrou dinheiro para comprar uma nova -, ela esbanja graça quando canta uma das suas composições. ''Gosto de escrever músicas com mensagens. Não tenho preconceito com relação a ritmos, mas acho que a música tem que levar as pessoas a refletirem. Um dos temas que mais gosto é sobre o respeito à natureza'', afirmou.
Até o ano passado Gislaine integrou o projeto Musicalização na Escola realizado no Colégio Estadual Ana Molina Garcia (que na semana retrasada teve um aluno que agrediu uma professora com uma barra de ferro), realizado pela ONG Ministério dos Sentinelas de Londrina, pontapé inicial para avançar no conhecimento musical.
O projeto é executado desde 2003 e já atendeu mais de 500 estudantes da instituição de 11 a 15 anos. Em período contraturno, duas vezes por semana, atualmente 20 alunos fazem aulas de canto e agora passarão a ter aulas com flautas doces.
Oficinas de percussão e rap também fizeram parte das atividades oferecidas pelo projeto e dois CDs já foram gravados pelos participantes - ''Sementes de Deus'' (2004/2005) e ''A arte promovendo a paz'' (2005). Os alunos também já se apresentaram no Palácio Iguaçu, em Curitiba, em solenidades do Rotary Internacional, e conheceram Foz do Iguaçu, entre diversas iniciativas.
Estudiosa, a hoje vestibulanda Gislaine participa durante o dia do Projeto Formare (para capacitação profissional de jovens), da Milenia Agrociência. À noite, ela faz cursinho no Pré-Vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Quer se formar em Letras. Com 14 composições musicais, ela conta que também tem o sonho de gravar um CD como cantora-solo. Para isso, os mantenedores da organização responsável pelo projeto estão buscando apoio financeiro para custear a gravação de mil exemplares.
''É até difícil explicar em palavras a nossa alegria e satisfação ao trabalhar com esses jovens. Vemos a mudança gradativa que passam. Ganham mais auto-estima, responsabilidade e conquistam um brilho nos olhos que muito nos orgulha e isso não tem preço'', destacou o advogado Elezer da Silva Nantes, presidente da organização responsável pelo projeto e um dos 21 profissionais da cidade que ajudam a manter a ONG.
O professor Jorgesnei Ferreira de Rezende, coordenador da parte musical do projeto, também ressaltou os benefícios na convivência entre os alunos que participam do Musicalização na Escola. ''É um resultado imediato a criação de mais laços de amizade, principalmente por ser um trabalho coletivo. A nossa preocupação não é só com o repertório e sim com a passagem de valores como responsabilidade, ordem e disciplina'', afirmou.
Rezende também informou que o projeto não impede a participação dos alunos considerados ''mais difíceis'' ou que não tiram boas notas. ''Acho que excluí-los não vai levar a nada'', acrescentou. Ele também informou que, infelizmente, o aluno da escola que agrediu a professora na semana retrasada nunca frequentou o projeto.
Sobre o fato da agressão, Gislaine lamentou o ocorrido e disse que prefere não julgar quem comete esse tipo de coisa. ''Fico muito triste com tudo isso, mas prefiro não julgar. Normalmente essas pessoas têm muitos problemas familiares, foram crianças largadas. Já vi muito esse tipo de coisa acontecer no bairro. Se for a pessoa que acho que é, vi ele crescer aqui e a gente até cantou junto na Igreja'', ressaltou. ''A harmonia familiar é fundamental'', pontuou a estudante, que mora com uma irmã mais nova e com os pais - o pai é pedreiro e a mãe, dona de casa. Mais informações sobre o projeto pelo site www.sentinelas.org.br ou pelo e-mail [email protected]. (A.P.N.)


