Procura por viagens de luxo cresce 30% ao ano
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2005
Silvia Campos<br> Agência Estado 
São Paulo - O turismo de luxo no Brasil já movimentou mais de US$ 200 milhões este ano, de acordo com o sócio-diretor da Hotels International Partners (HIP), Roberto Sollberger Jeolas. O número é de um levantamento feito pelo HIP escritório que representa hotéis de luxo espalhados pelo mundo , com base em dados do Banco Central. Ainda de acordo com a pesquisa, o segmento cresce mais de 30% ao ano no País. ''A América Latina é a noiva da vez'', afirma Jeolas.
Segundo o executivo, o Brasil tem de 400 mil a 500 mil famílias com poder aquisitivo para comprar viagens de luxo. O número pode parecer pequeno, mas levando em consideração o valor gasto pelos turistas deste nível, é expressivo. ''Diria que o brasileiro de elite gasta cerca de US$ 1 mil por dia lá fora'', declara Jeolas.
A diretora da agência de viagens especializada em turismo de luxo L'Espace, Vera Gattaz, confirma a informação. ''Os meus clientes gastam entre US$ 700 e US$ 1 mil por dia, entre o hotel e outras reservas'', diz. A L'Espace é uma das oito agências brasileiras filiadas a uma rede de mais de seis mil especialistas em turismo de elite no mundo, chamada Virtuoso (www.virtuoso.com). Juntas, estas agências acumulam vendas de US$ 3 bilhões por ano. Em São Paulo, também fazem parte da Virtuoso a Agaxtur, a Grande São Paulo, a Prime Tour, a Queensberry e a Teresa Perez Tours.
Quem imagina que os megarresorts e hotéis com centenas de quartos são o motor da bilionária indústria de luxo, se engana. Já se foi a era dos Titanic. A maioria dos endinheirados hoje busca exclusividade e lugares exóticos.
''Hotel de luxo é aquele que tem até 80 quartos. Depois disso, não há como o cliente se sentir exclusivo'', opina Teresa Perez. Para a empresária, o que há de mais requintado atualmente são estabelecimentos pequenos, de seis a oito suítes.
A modelo Cássia Ávila, de 30 anos, também aprecia o charme de um hotel pequeno. Ela conta que já viajou o mundo inteiro a trabalho e chegou a se hospedar até no gigantesco seis-estrelas sul-africano The Palace of the Lost City, com 338 quartos. O empreendimento não decepcionou, mas também não conquistou a modelo. ''Tinha uma praia artificial enorme. Era tudo muito mega. Mas não faz o meu estilo'', diz.
Já o Pershinghall, em Paris, de 20 quartos, está entre os favoritos de Cássia. ''Achei muito romântico e intimista. A comida era maravilhosa, as pessoas descoladas e o serviço, impecável.'' A modelo, que diz ''adorar'' hotel, só não abre mão de um atendimento diferenciado. ''Gosto de voltar para o quarto e encontrar a cama arrumada, um chocolatinho. É legal ter essa magia'', descreve.
Fazer com que o viajante se sinta paparicado, aliás, é um dos principais requisitos para que a viagem seja luxuosa. ''A tendência é um roteiro que possibilite sensações de satisfação especiais'', afirma o diretor da Queensberry, Martin Jensen. ''O cliente endinheirado quer ter à disposição tudo o que pode imaginar, no momento em que tiver vontade. Por isso, alguns hotéis servem café da manhã a qualquer hora do dia'', comenta.
Para a empresária e consultora em alimentação saudável Lucília Diniz, que sempre fez boas viagens, luxo é personalizar. ''Uma vez fui esquiar com meus filhos e levei o copeiro'', revela. Recém-chegada de Paris, Lucília diz que faz questão de se hospedar nos melhores hotéis. ''Viajo para fazer uma coisa muito boa ou, então, não vou'', diz, categoricamente.
Já Cássia Ávila admite que viagens luxuosas pesam no bolso, mas acha que a despesa compensa. E exemplifica: ''Se você gasta R$ 5 mil numa bolsa, é lógico que pagar R$ 50 mil para ficar num lugar maravilhoso vale a pena.'' (Colaborou Cristiana Vieira)


