Transitar por diferentes veículos é uma das marcas de Dan Stulbach. Com o tempo dividido entre o comando fixo do programa "Fim de Expediente", da rádio CBN, e trabalhos no teatro, o ator sente falta de ter mais tempo para atuar na televisão. Por isso mesmo, o convite para dar vida ao obsessivo Paulo Hélio de "Segunda Dama", próxima série da Globo, chegou na hora ideal. "Foi um envolvimento mais rápido e no tempo certo diante dos meus outros projetos", conta. Sem contrato fixo por vontade própria, Dan prioriza a liberdade de tocar seus outros compromissos profissionais, mas enaltece a projeção que o veículo lhe oferece. "Sem dúvidas, o ator fica mais em evidência. Ser reconhecido nas ruas pelo seu trabalho é a melhor forma de retribuição", elogia.
Na trama, com dose de humor e drama, Paulo Hélio é um homem de família nobre e casado com Analu, a gêmea rica do seriado, interpretada por Heloísa Périssé. No entanto, a rotina do casal é marcada pelas manias do personagem, que fica dez anos sem sair de casa. Apesar da carga intensa do papel, Dan acredita que a abordagem é conduzida de forma cômica e leve. "Paulo Hélio tem a esquisitice de não colocar a mão na maçaneta, mas é um papel que puxa para o lado da comédia", analisa. Mesmo assim, o ator adianta que, a partir do terceiro episódio, seu personagem vai redescobrir certos hábitos. "Com o desenrolar da história, ele vai voltar a fazer coisas normais, como dar um mergulho no mar", revela.
Durante os quatro meses de gravação, Dan relembra a liberdade que teve nas sequências que dividiu com Heloísa Périssé, uma das autoras da produção. "Tinha muito improviso e olho no olho. O bom é que ela deixava, ainda mais por ser seu texto", diverte-se. A cada trabalho, o ator reforça a importância de um estudo de campo aprofundado para, assim, se inserir mais a fundo em um contexto diferente ao seu. "Seja por um filme ou através de pessoas que já passaram por isso. Costumo me aprofundar no texto para começar a criar a forma do papel para chegar de maneira mais pronta", opina.
Natural de São Paulo, o ator de 44 anos começou a carreira artística aos 20 em apresentações amadoras no teatro. Na ânsia de interpretar tipos variados, Dan acredita que o profissional da arte deve ser versátil em suas escolhas. "Quero coisas diferentes e que me desafiem. Quanto mais múltiplo você for, maior a chance de engrandecer", confia. Em um de seus papéis mais expressivos da televisão, o psicopata Marcos de "Mulheres Apaixonadas", o ator confessa que, mesmo após dez anos do fim da novela, o público ainda lembra das cenas do personagem com a sua inseparável raquete, objeto com o qual batia na mulher. "Eu me divirto com as lembranças. O bom é que marcou o telespectador", recorda.
Além do trabalho no seriado, Dan adianta que deve voltar a comandar – por um período determinado a partir de meados de maio – o programa matinal "Encontro com Fátima Bernardes". Para ele, o trabalho com rádio o ajudou a ter mais domínio diante às câmaras. No entanto, no começo, Dan confessa ter ficado apreensivo quando foi convidado pelo diretor geral, Boninho. "Foi uma proposta ousada e um passo diferente de tudo que tinha investido antes", relembra ele, que não descarta ter um programa somente seu. "Tenho vontade de fazer coisas pessoais, assim como é bom ter um personagem que você consegue imprimir suas marcas nele", analisa.

SERVIÇO
"Segunda Dama" – TV Globo
Estreia - prevista para o dia 15 de maio, às 23h15

mockup