Príncipe da Pérsia agrada mas não surpreende
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quinta-feira, 03 de junho de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Jake Gyllenall, astro de ''Brokeback Mountain'' seria um ator improvável para um filme de ação. E ''Príncipe da Pérsia'', adaptação de videogame oitentista que ganhou roupagem moderninha a partir do final dos anos 90, sempre foi visto com desconfiança, já que nenhuma transposição dos consoles para as telonas foi bem-sucedida até hoje. No entanto, o longa, que estreia hoje, apesar de todos os momentos desconexos, deve fazer sucesso, pelos bons momentos do ator e das belas cenas de ação do blockbuster, que deve agradar o público afoito por uma boa aventura com doses de comédia e romance.
A missão de transpor um videogame é sempre difícil, vide desastres como ''Mario Bros.'', ''Mortal Kombat'', ''Street Fighter'', ''Tomb Raider'', entre outros. Assim como ''Príncipe da Pérsia'', são franquias adoradas e, sempre que filmadas, precisam não só agradar o público acostumado com o entretenimento eletrônico quanto o que está atrás de um blockbuster de verão americano.
Pois a Disney e Jerry Bruckheimer resolveram transformar o game em uma franquia de sucesso, desde a escolha do ator, alguém que pode atuar e fazer cenas de ação, até a produção, que mantém grande atenção com todos os detalhes de época e figurino.
Pena que os detalhes, no entanto, limitam-se às cenas de ação e aos poucos momentos de humor.
A história segue a do jogo ''Areias do Tempo'', em que um príncipe bastardo se vê numa intriga política e precisa provar com sua astúcia e habilidade acrobática que o destino não o escolheu à toa. Ao seu lado, surge uma princesa incômoda e espirituosa, que vai tirá-lo de sua vida de guerreiro medíocre para ser um grande herói.
''Príncipe da Pérsia'' exibe várias das habilidades realizadas pelos jogadores no videogame - inclusive as corridas em paredes e lutas asfixiantes - e tenta repetir o mix de ação, humor, drama e romance combinados na franquia ''Piratas do Caribe'', outro sucesso da dobradinha Bruckheimer e Disney.
Não tem o mesmo apelo e nem mesmo consegue o mesmo êxito do filme de piratas, apesar do alívio cômico de Alfred Molina (o Doutor Octopus de ''Homem-Aranha 2''). Mas deve agradar quem só quer mais um filme-pipoca para o período que antecede as férias para o cinema.


