Primitivismo autêntico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de março de 1998
Simone Mattos 
A carreira da artista plástica curitibana Suene Santos, 41 anos, começou por acaso. Hoje ela é considerada uma das mais autênticas formas de expressão da arte primitiva do Brasil. Vinte de suas obras, que atualmente fazem parte do acervo da Fraletti Rubbo Galeria de Arte, em Curitiba, poderão ser vistas em Londrina, a partir de hoje.
Autodidata, seus quadros são reconhecidos dentro e fora do País como autênticas reproduções das cores e formas brasileiras. Tudo começou por brincadeira, conta a artista. Há 15 anos eu era atleta e tinha ido a Paranaguá participar de jogos abertos. Vi paisagens magníficas e, como não tinha máquina fotográfica, na volta desenhei o que tinha visto para explicar para os meus filhos.
Ela lembra que seu marido ficou impressionado com o resultado e pediu para que ela repetisse o desenho com tintas, num pedaço de madeira. Sem que eu soubesse, ele incluiu a obra numa mostra da Telepar, conta. Fui premiada com o primeiro lugar e vendi o quadro na mesma hora.
A partir daí, as técnicas começaram a se tornar mais apuradas e as telas em óleo sobre eucatex participaram de várias mostras. Sua riqueza interior e a clareza de suas memórias ganham forma pelo registro de manifestações sociais e festas populares dentro de sua perspectiva autodidata, acredita a galerista Zilda Fraletti Rubbo.
Seu trabalho é de contadora de estórias de situações reais de seu passado e presente, afirma Zilda.
Suene Oliveira Santos - exposição individual. Abertura hoje, às 20h30, no Espaço Cultural Banestado (Rua Bandeirantes, 500), em Londrina. A mostra permanece até o dia 10 de abril.


