Primeiros passos na arte
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de março de 2001
Francelino França De Londrina 
Os 11 formandos do curso noturno de Artes Plásticas/2001, da Universidade Estadual de Londrina, apresentam Trabalhos de Conclusão de Curso e obras individuais, a partir de hoje, na Sala Celso Garcia, no Cine-Teatro Ouro Verde. Por força do acaso, um tema domina a coletiva: o cotidiano. As técnicas escolhidas pelos artistas plásticos privilegiam a fotografia, a colagem, o desenho e a escultura.
Maristela Cardoso, que trabalha como controladora de tráfego aéreo, se valeu das imagens da torre de controle para criar sua colagem, como um desdobramento daquilo que vê todos os dias. Segundo ela, essa é Londrina vista sob outro aspecto. O processo exerce um papel preponderante na definição da linguagem escolhida pelos expositores. Esse argumento recebeu a defesa de Úrsula Figueiredo que experimentou inúmeros tipos de papéis e materiais até desaguar numa linguagem de traços que representassem seu cotidiano em casa.
Mara Anizelli recorreu às lembranças, potencializadas pela imaginação, para criar a obra Silêncio. A mola mestra da peça é o ícone que representa o movimento do infinito, denominado Fita de Moebios. Mara Anizelli usa aço, parafina, soda cáustica e sangue para compor Silêncio.
Uma das obras mais instigantes, pois exige uma atenção redobrada do público, foi concebida por Almira Toledo de Mello. Em quatro séries, Luxúria representa cenas ainda censuradas. Para privilegiar a sutileza, os 140 minúsculos desenhos foram realizados em ponta seca sobre papel branco. Somente a observação atenta identifica os nus explicitamente erotizados.
A artista plástica Cássia Nascimento manipulou fotografias. Sua instalação traz duas fotos coloridas e reveladas em tom sépia. A primeira suprimida por água sanitária que segura uma rosa. Na segunda, a rosa desapareceu pelo mesmo processo. Para completar a instalação, 10 dúzias de rosas brancas interagem com o público pelo impacto visual e pela provocação olfativa.
Roseli de Moraes optou pela fotografia P&B, retratando várias mãos em situações diversas. Numa conjunção entre fotografia e semiótica, sua intenção é travar um diálogo entre a imagem e a ciência que estuda o signo.
Coletiva dos Formandos de Artes Plásticas/2001, abertura hoje, na Sala
Celso Garcia Cid, Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), às 21 horas. A exposição segue até o dia 1º de abril. Trabalhos dos seguintes formandos: Adriana Romagnolo, Almira Toledo de Mello, Cássia Nascimento, Célia de Santa, Charleston Luihp, Jeancarlos Nunes, Mara Anizelli, Maristela Cardoso, Roseli de Moraes, Sirley Souza e Úrsula Figueiredo. Promoção: Divisão de Artes Plásticas (Casa de Cultura/UEL). Visitas monitoradas podem ser agendadas pelo telefone (43) 322-6844.


