Marcos BorgesJoão Rodrigo, Gizela, Mirella e Tatiana: expressando em pinturas o jeito de ser dos jovensEles têm entre 16 e 19 anos. Estudam no 2º grau e se cruzam uma vez por semana para pintar, desenhar e arriscar colagens misturando materiais variados num ateliê de artes em Londrina.
Há duas semanas, inauguraram uma exposição coletiva num clube social da cidade convocando para a noite de abertura nada mais e nada menos do que uma banda de rock. O que poderia ser motivo de controvérsias, caso eles fossem artistas locais de renome, serviu mais para animar o ambiente e relaxar os participantes.
A exposição, que reúne 25 trabalhos, mescla pintura a óleo e técnicas mistas. ‘‘Os quadros que estão ali têm a cara da gente. Não apresentam a técnica de um artista plástico profissional. Os temas dos trabalhos podem ser os mesmos, mas são vistos pelo nosso ângulo, expressando um jeito de ser dos jovens’’ - explica Mirella Leoni, uma das expositoras.
Pupilos Mirella é uma das novatas do grupo. Começou a manipular pincéis e tintas há um ano. Na exposição, mostra dois trabalhos em que evoca as lembranças da infância. Além dela, a mostra coletiva reúne criações de João Rodrigo Milanez, Gizela Turkiewicz, Tatiana koyashiki e Patricia Cruz.
Intitulada ‘‘Juventude Atitude’’, a exposição continua repercutindo fora do gueto artístico. Instalada na sala de convivência do Country Club, tem atraído olhares pela dimensão pouco modesta das telas. Estava prevista para se encerrar neste final de semana, mas o bom número de visitantes levou a diretoria do clube a mantê-la no local até a próxima sexta-feira.
Ainda este mês, a mostra começa a circular pelos colégios da cidade. ‘‘O pessoal nos colégios é bem acomodado. Mas se a gente levar a exposição até eles, eles se interessam’’ - acredita Gizela. A turma existe há seis anos, mesclando caras novas e gente que faz parte do núcleo original.
Patrocínio O ponto de encontro é o ateliê Ponto & Forma, da artista plástica Leniza Bergonse Pereira, que se recusa a chamar os pupilos de alunos. ‘‘Eles já dominam os processos criativos. Não são profissionais, mas conhecem as técnicas e a poética da linguagem artística’’ - sublinha ela.
Entre as curiosidades que marcaram os primeiros dias da exposição, Rodrigo lembra a surpresa ao ser abordado pelo público sobre um de seus trabalhos. ‘‘Justamente aquele que eu estava querendo retirar da exposição, por não achá-lo suficiente bom, foi o que mais chamou a atenção. Várias pessoas vieram me falar que tinham gostado dele’’ - conta.
A mostra no Londrina Country Club foi patrocinada pelo curso e colégio Metropolitano Seta que, pelo sucesso da iniciativa, já deve estar agendando uma data para também acolher o evento.

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