PRIMEIRO EMPREGO - Indo à luta pelo mercado de trabalho
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Todo mundo já passou por isso. Não se sente totalmente adulto e a infância já ficou para trás. O futuro parece ter uma amplidão imensa e as primeiras preocupações começam a aparecer. Normalmente é na faixa dos 16 anos que a ansiedade do primeiro emprego começa a aparecer. Muitas vezes, nessa idade, os jovens, principalmente os de baixa renda, esperam a oportunidade de serem inseridos no mercado de trabalho mesmo sem terem concluído os estudos.
É uma forma de aliviar a pressão familiar pela contribuição financeira em casa, garantir os estudos e adquirir a famosa ''experiência'' - tão requisitada e valorizada no mercado de trabalho, embora aqueles que sejam mais velhos, e consequentemente mais experientes, correm também o risco de serem desvalorizados. Uma situação conflitante da sociedade moderna.
Para enfrentar essa situação desde setembro do ano passado a Prefeitura de Ibiporã está desenvolvendo o projeto ''Juventude Cidadã'' - criado pelo governo federal e aplicado atualmente em 42 municípios brasileiros. Até março deste ano, Ibiporã era a única cidade paranaense a participar do programa. Depois disso, o projeto passou a ser realizado também em Londrina.
Dentro desse programa, o governo federal custeia diversos cursos de capacitação e também bolsas de estudo no valor de R$ 120,00. A prefeitura, como contrapartida, deve realizar a coordenação dos cursos, monitorar estágios voluntários obrigatórios que os jovens devem frequentar durante os quatro meses de curso e, fundamentalmente, unir esforços e parcerias para conseguir inserir o jovem de 16 a 24 anos no mercado de trabalho antes de completar um ano de início do programa.
Em Ibiporã, os 750 jovens inscritos tiveram nove cursos de capacitação à disposição, aplicados pelo Senac/Senai: auxiliar administrativo, manutenção de micro, telemarketing, recepcionista, metal-mecânica, auxiliar de Serviço Pessoal, operador de supermercado, garçom e vestuário. Na programação dos cursos, conteúdos relacionados à informática, relacionamento pessoal, cidadania, empregabilidade e legislação, entre outros. A carga horária da capacitação profissional é de 300 horas/aula; já a do estágio voluntário é de 125 horas.
O grande desafio agora é bater a meta de inserir no mercado de trabalho 30% do total dos jovens que participaram do programa em Ibiporã, isto é, 225 jovens. Até agora 110 jovens já estão comemorando a conquista do primeiro emprego. ''A maior parte do nosso público-alvo está na faixa dos 16, 17 anos e, normalmente, as empresas preferem os jovens com mais de 18 anos pela questão da maturidade. É um desafio e buscamos mostrar para o empresariado que os mais novos estão saindo do programa com uma boa base e já têm uma postura mais profissional'', destacou a secretária municipal do Trabalho, Ireny Sorge do Nascimento, que atua na Agência do Trabalhador.
Segundo ela, Londrina tem sido uma grande parceira na absorção dos jovens que concluíram o programa. ''Pelo seu porte, Ibiporã não comporta toda essa mão-de-obra e precisamos do apoio das empresas da região'', acrescentou Ireny.
A secretária também explicou que existem várias formas de inserção no mercado como estágio remunerado, trabalho formal (com carteira assinada), aprendiz ou até cooperativismo, a exemplo de um grupo de jovens de Osasco (SP), que após participarem de um curso de manutenção de microcomputadores resolveram se organizar em forma cooperativista para gerenciarem o próprio negócio.
''O interessante é que a cidade toda se envolveu com o projeto, já que os estágios voluntários obrigatórios foram realizados em asilos, escolas, associações de bairro, rádio comunitária. O comportamento do jovem mudou e os pais também ficaram satisfeitos com a oportunidade dos filhos, que deixaram de ficar ociosos'', ressaltou Ireny, que comentou que o projeto também atendeu jovens encaminhados pelo Ministério Público e o Conselho Tutelar.
A prefeitura já pediu a renovação do projeto, mas espera atingir a meta de empregabilidade para dar continuidade à iniciativa que pode beneficiar a vida de milhares de jovens. Os empresários interessados em colaborar com o projeto podem ligar para os telefones: (43) 3178-0224, 3178-0223 e 3258-9184. Os coordenadores também solicitam que os alunos participantes do projeto atualizem os seus cadastros.


