Primeira gravação de samba completa 100 anos
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Leonardo Volpato e Leandro Vieira<br>Folhapress 
São Paulo - Uma das maiores representações da música brasileira, o samba completa neste ano um século desde sua primeira gravação musical, datada de novembro de 1916. Na ocasião, a música "Pelo Telefone", de Donga (1889-1974) e Mauro de Almeida (1882-1956), estourou e fez o País todo abrir os olhos para um ritmo que começava no Rio de Janeiro, com batuques e letras fortes.
De acordo com sambistas de renome, o estilo foi o mais importante de todos os tempos, até mesmo para gerar outros ritmos, como a bossa nova, a MPB e o samba-rock.
"O samba foi quem iniciou as referências que esses segmentos levam em suas características. Foi o embrião de tudo", diz Osvaldinho da Cuíca.
Para Leci Brandão, o gênero só se fortaleceu por conta da persistência. "Antigamente, era diferente. No começo, tudo era mais difícil. Ao longo dos anos, o samba foi abrindo espaço, mostrando a que veio."
Segundo Martinho da Vila, o ritmo, antes estereotipado, hoje se fortaleceu. "Está consolidado, com bastante ajuda do Carnaval. Atualmente, o samba se mistura a ritmos diversos, e existe mais liberdade de criação", avalia.
É o que também pensa o escritor, músico e especialista em samba Luís Filipe Lima. Para ele, o samba de 1990 para cá continua seguindo tendências antigas, mas conseguiu inovar. "Principalmente a geração que surgiu forte a partir dos anos 1980, com Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Fundo de Quintal. São artistas que continuam atuais", avalia.
Segundo ele, a importância do samba para o Brasil se confunde com a própria história do País. "Aconteciam revoluções no Brasil e também no samba. Podemos traçar um paralelo. Na última década do século 19, por exemplo, ocorreu uma forte migração de nordestinos para o Rio. Eles vinham tentar a sorte na cidade grande. Com isso, surgiram na época muitos compositores que ajudaram a alavancar o samba."
PRECONCEITO NO PASSADO
Para sambistas renomados, o preconceito contra o samba foi um dos principais percalços pelos quais o estilo passou, mas a discriminação ficou para trás.
"Antigamente, o cara era chamado de bandido, era perseguido. Hoje não, isso já acabou", declara Martinho da Vila.
O integrante do Demônios da Garoa Sérgio Rosa conta que, principalmente nas apresentações do grupo paulistano, ele consegue ver uma grande mistura de classes sociais. "Percebo desde as classes mais favorecidas até as menos. O samba é tão forte que une ricos e pobres", comenta.
Para Leci Brandão, porém, o preconceito existe ainda no meio do rádio. "Eu não consigo entender por que ainda há rádios que não tocam samba, que acham que só MPB é bacana. Elas não sabem que foi o samba que começou tudo?", questiona.


