Cleide Cavalcante e Edmundo Leite
Agência Estado
O Brasil também tem o seu deserto. Lençóis Maranhenses, conhecido como o ‘‘Saara brasileiro’’ é um lugar surpreendente e realmente singular. Vale muito a pena percorrer a longa e esburacada estrada – são cerca de oito horas de ônibus – até o município de Barreirinhas, porta de entrada para uma imensidão de dunas de areias profundamente brancas e soltas. Outra opção, mais cara, porém mais bem mais rápida, é ir de avião fretado até a cidade.
São nada menos do que 155 mil hectares de areias, ou o tamanho da cidade de São Paulo. A comparação com o deserto africano merece algumas ressalvas, como se pode perceber, a começar pelo tamanho, infinitamente menor. Mas isso realmente não tem a menor importância. No nosso deserto, o sol não é tão causticante, e a maior vantagem: temos oásis de verdade. Ao contrário das famosas miragens, o que vemos surgir diante de nossos olhos no meio das enormes dunas – algumas chegam a medir 40 metros de altura – são belas piscinas naturais com águas doces e transparentes, entre o azul claro e o verde. São incontáveis lagoas salpicadas em toda a extensão da área do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Algumas chegam ter peixes.
Barreirinhas, com 30 mil moradores, fica a 339 quilômetros de São Luís (cerca de 150 deles em estrada de terra) a maioria dos moradores vive da pesca, do pequeno comércio, da lavoura, da fabricação de tijolos e da confecção de artesanato.
A alternativa mais confortável para ir até a cidade é mesmo de avião fretado. Mesmo sendo uma opção mais cara, o que se vê lá de cima é um cenário de pura beleza e pouco visto no Brasil. Os pilotos costumam fazer um vôo panorâmico na ida e na volta para que os visitantes possam ter uma visão bastante ampla do campo de dunas.
Em Barreirinhas é necessário alugar um carro com tração nas quatro rodas, o único tipo de veículo que consegue atravessar as dunas, ou ‘‘morrarias’’, como se fala por lá. Feito isso, é hora de encarar 30 quilômetros de estrada de areia até o Parque dos Lençóis.
Pelo caminho, casinhas típicas da região, de tijolos e telhados feitos com folhas de uma palmeira chamada buriti, chamam a atenção. Por mais simples que sejam, são bem feitas e enfeitadas com vasos de flores e outras plantas. Na maioria delas, há pelo menos umas três crianças na porta, que correm apressadas acenando para os turistas. Outra coisa boa deste caminho são os cajueiros repletos de frutas, que no calor são providenciais para matar a sede.
Na estação de chuva, entre janeiro e junho os Lençóis ganham mais vida, as lagoas ficam bem mais cheias, e as paisagens mais exuberantes. Especialmente se foram observadas a bordo de um monomotor.

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