Previsível culto ao luxo
Ninguém ignora que a índole imperial dos Estados Unidos tem como base a pratica de esportes. Lá, o importante não é só competir, mas vencer. A todo custo. A coisa é séria. E não somente pelo dinheiro que o esporte movimenta. Nos EUA, a lei permite a atividade de assessores de apostas esportivas. Entre todos os esportes o preferido dos norte-americanos é o futebol, o deles, claro. As redes de tevê fomentam esta febre ou vivem dela, com programas para apostadores compulsivos, apresentados com acentuado estilo populista.
Este é o pano de fundo para o roteiro de Tudo Por Dinheiro, em lançamento nacional a partir de hoje (confira a programação na página 2), um filme com forte apelo a partir do elenco. Al Pacino vive um homem maduro que, à base de dinheiro e vasta experiência em astutas artimanhas, corrompe um jovem íntegro (Matthew McConnaughey), ex-esportista afastado por uma lesão, alguém fascinado pelo êxito. Acontece que o jovem é um gênio em prognósticos, do que se aproveita o veterano.
De certa forma Pacino repete o mefistofélico personagem de O Advogado do Diabo, mas na verdade o ator, em tratamento over, usa e abusa de parodiar a si mesmo, histriônico até a medula. McConnaughey não é mau ator, mas sua tendência a exibir musculatura começa a parecer risível, especialmente para quem não é mais principiante. A sempre ótima Renée Russo está no filme errado, e sofre os caprichos de um roteiro mal estruturado, que começa até que sofisticado, mas logo envereda pelo melodrama cremoso. A narração reiterativa não consegue explicar bem em que consiste o tal negócio das apostas e recorre ao futebol americano, o que dá no mesmo, já que este também é inexplicável. Quem dirige é David J. Caruso, contra quem nada consta, contra ou a favor. (C.E.L.J.)





