Previsão otimista para o turismo em 2008
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Da Redação 
Com a economia a seu favor, o mercado doméstico de aviação cresceu 10% entre janeiro e setembro deste ano, ante o mesmo período em 2006, e deve fechar o ano com a mesma alta. O levantamento é da Gol Transportes Aéreos e foi anunciado durante palestra sobre as projeções da indústria de turismo para o setor no 35º Congresso da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Feira das Américas - ABAV 2007, no Rio de Janeiro.
Fatores como o crescimento da economia do País e da renda dos brasileiros, a expansão do crédito e a valorização do real ante o dólar são os pilares para o bom desempenho não só da aviação, mas do setor de turismo em geral, segundo representantes de 11 entidades e empresas da área na palestra ''Turismo - as Previsões da Indústria''. O cenário positivo da economia foi enfatizado pelos palestrantes, que fizeram coro ao apresentar projeções otimistas para o turismo no Brasil no próximo ano. A ascensão, porém, depende diretamente de mais investimentos na infra-estrutura das malhas aérea e viária brasileiras, alertaram os profissionais.
O número de passageiros que embarcam em aviões brasileiros cresce hoje de duas a três vezes a mais que o PIB do Brasil, afirmou o diretor de vendas da TAM, Klaus Kuhnast. ''O mercado de companhias aéreas teve queda em 2006, mas já cresceu em relação aos anos anteriores'', ressaltou.
O vice-presidente de marketing e serviços da Gol, Tarcísio Gargioni, prevê ainda que o mercado vá fechar o ano com crescimento também de 10% sobre 2006. No somatório da curva de crescimento do mercado desde 2003, a alta chega a 75%, de acordo com os números apresentados pela Gol. ''Isso nos leva a acreditar que continuaremos a crescer na taxa dos dois dígitos''.
Para exemplificar a confiança que o mercado da aviação tem depositado no desempenho econômico do País, Gargioni citou a compra de 124 aviões pela companhia em 2004 e ainda o investimento de R$ 7 bilhões para a compra da Varig. A TAM também anunciou que está programando a aquisição de novos aviões. ''Isso significa acreditar no Brasil e no nosso negócio'', concluiu Gargioni.
Dólar baixo
Atrativo para algumas áreas do turismo e ainda um entrave para outras, o dólar continuará na faixa de R$ 1,90, acredita o secretário nacional de políticas de turismo do Ministério do Turismo, Airton Pereira Júnior. Apesar de estimular viagens internacionais, o cenário, alertou o secretário, representa um desafio para atrair turistas estrangeiros.
Para tentar driblar baixas no turismo receptivo, ele informou que o ministério está fomentando a criação de pacotes de viagens casados, com dois ou mais tipos de destinos. ''O Brasil não está sendo um destino barato, então vamos apostar na combinação de destinos como praias do Nordeste e a Amazônia'', explicou. ''Teremos ainda um olhar especial para os Estados Unidos porque o Brasil ainda é destino de menos de 1% dos turistas americanos'', disse.
Os hotéis também não vêm conseguindo desfrutar da desvalorização do dólar, segundo o presidente da Associação Brasileira de Resorts, Alexandre Zubaran. Ele alertou que a política ainda é ''um gargalo no desenvolvimento da hotelaria''. ''A hotelaria sente muito o dólar baixo e ainda não consegue surfar no bom momento porque o brasileiro está viajando muito para fora'', atentou.
Mas Zubaran ressaltou que o entrave é passageiro e, em longo prazo, a previsão é que a indústria hoteleira triplique no Brasil, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Heraldo Cruz. Em médio prazo, segundo ele, quem se beneficia é o turismo três estrelas e voltado para uma linha mais popular, na carona do aumento da renda média dos brasileiros.
No ramo das agências de viagens, a aposta do presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), José Eduardo Barboza, é na personalização de pacotes de viagens, fator considerado por ele essencial na manutenção de empregos no setor. ''Temos que promover a diversidade. A rede de agências que façam pacotes independentes e não só padronizados é essencial tanto para o trade de turismo quanto para o consumidor'', alertou.


