Prêt-à-Porter em nova temporada em SP
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Beth Népoli 
São Paulo, 24 (AE) - Onde está aquela velha maravilhosa? Queremos conhecê-la. Só vimos jovens no elenco, desde que você chegou aqui. A "velha" era a atriz Gabriela Flores, de 24 anos
intérprete de Hécuba na peça "Fragmentos Troianos", de Antunes Filho, que ouviu o comentário acima logo após a estréia do espetáculo no 11.º Festival Internacional de Istambul, na Turquia, no início do mês. A atriz pode ser vista todos os sábados no elenco de "Prêt-à-Porter" - em temporada no Hall de Convivência do Sesc Consolação, em São Paulo -, espetáculo que Antunes considera fundamental como etapa de um processo de renovação da arte de interpretar, renovação detectada no exterior nas apresentações de Fragmentos Troianos.
O trabalho da atriz não foi a única e nem a mais importante repercussão da adaptação de Antunes para a tragédia de Eurípides. Os elogios à técnica vocal dos atores - que apresentaram o espetáculo ao ar livre para uma platéia de cerca de 600 pessoas, sem utilizar microfones - representaram a maior fonte de satisfação para o diretor. "As pessoas diziam que era bonito ouvir os atores dizer o texto da tragédia grega como se estivessem conversando com a platéia", contou Antunes. "Mas aí é que está, não era uma conversa, nada havia de coloquial, a diferença é que o texto não soava como uma pedrada e isso só foi possível depois de Prêt-à-Porter".
Para o diretor, "Fragmentos Troianos" estava claramente na contramão dos outros espetáculos apresentados no festival e, por isso, pode representar um oxigênio novo no cenário teatral. "Todos estavam presos ao mesmo formalismo de 20 anos atrás e as pessoas estão cansadas desses games visuais, desse grafismo, de toda essa tecnologia que serve para vender carro e remédio, mas cansou nos palcos; o teatro, no próximo milênio, tem de reencontrar o homem", argumentou. "Fragmentos Troianos é franciscano, é simples, porque a complexidade é sempre simples na sua exposição".
Antunes afirma não ter perseguido apenas uma nova técnica, mas uma nova filosofia na formação de seus atores. "As pessoas vêm ver Prêt-à-Porter e dizem: é simples, isso eu também faço", ironiza. "Eu dou três meses de prazo e 10 mil dólares para quem conseguir fazer igual", desafia. Segundo o diretor, "Fragmentos Troianos" aponta uma tendência teatral que será predominante no próximo milênio, mas talvez não cause impacto quando estrear no Brasil, possivelmente em novembro. "Em todos os meus espetáculos, as fichas custam a cair na cabeça das pessoas".


