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Londrina

"Prêt-à-Porter 3" estréia no Sesc

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de janeiro de 2000

Por Beth Népoli
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São Paulo, 20 (AE) - Sem provocar o mesmo barulho da estréia de "Fragmentos Troianos", entra em temporada a partir de sábado, no Hall de Convivência do Sesc Consolação, "Prêt-à-Porter 3", criação dos atores do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) do Sesc, coordenado pelo diretor Antunes Filho. "Prêt-à-Porter" é um espetáculo composto por "movimentos para dois atores" criados pelos jovens atores do CPT, a partir de improvisações sobre um tema, sob a coordenação de Antunes Filho. Os três novos movimentos que estréiam sábado - "Bom Dia", "Leque de Inverno" e "Posso Cantar?" - substituem três outros do "Prêt-à-Porter 1", que estavam há quase dois anos em cartaz no mesmo local.
"Bom Dia", com Donizeti Mazonas e Juliana Galdino tem como personagens um homem e uma mulher de classe média que acordam juntos na noite seguinte em que se conheceram num bar. Em "Leque de Inverno", Silvia Lourenço e Emerson Danesi são dois interioranos tímidos e solitários que vivem há pouco tempo na cidade de São Paulo e, por isso, ele é o único convidado a comparecer à festa de aniversário dela. Em "Posso Cantar?" Juliana Galdino é uma jovem prostituta que vive num posto de gasolina, onde rouba a mala da radialista interpretada por Sabrina Greve.
Reunidos numa das salas do CPT, os atores conversaram com a reportagem sobre o sua mais recente criação. "Embora não tenha sido proposital, novos movimentos giram em torno da dificuldade de comunicação entre as pessoas", observou Silvia Lourenço. Como ocorria em "Prêt-à-Porter 1", ao fim da apresentação os atores vão conversar com o público sobre o método de criação das cenas e responder perguntas.
Antes de iniciar "Leque de Inverno", os atores narram o perfil dos personagens que vão interpretar e, ato contínuo, iniciam a cena, sem nenhuma "concentração" especial. Não há figurinos, cenários ou iluminação especial e os atores têm como apoio alguns poucos elementos cênicos. Aparentemente, "Prêt-à-Porter" é só um espetáculo bastante simples com atores representando de forma "natural", ou seja, sem gestos grandiloquentes ou emoções exarcerbadas, histórias que poderiam ocorrer no cotidiano de qualquer um de nós.
Porém, na condição de um dos diretores mais respeitados do País, não só como encenador de espetáculos antológicos como "Macunaíma", mas principalmente como formador de atores, Antunes Filho é enfático ao defender "Prêt-à-Porter" como ponto de partida de uma revolução no método de interpretação de ator. Ele define como "catástrofe" a formação do ator brasileiro baseada no histrionismo dos pioneiros aliado ao mal-entendimento do famoso método Stanislavski.
Essa mistura resulta no que ele chama de ator "espanador", gesticulando freneticamente para todos os lados, aquele ator ansioso, de musculatura enrijecida pela tensa busca de ser "tomado" pelo personagem que deveria "baixar" no palco, como um "santo num terreiro", por pura inspiração. "Enquanto essa forma de interpretação persistir em nossos palcos o público vai continuar se afastando do teatro e não surgirão novos autores, porque é preciso ouvir um texto bem falado para ter vontade de escrever para o palco", diz Antunes.
Ele afirma estar criando um novo paradigma para o ator, desde a forma de emitir a voz até a capacidade de controlar todas as etapas da criação. Daí o termo "coordenador" no lugar de "diretor". Antunes defende obsessivamente o novo método de emissão de voz que vem trabalhando com seus atores, baseado na ressonância e não na projeção, um método cujos resultados já podem ser vistos em "Fragmentos Troianos". O diretor credita à natural resistência ao novo parte das críticas à tragédia grega em temporada no Sesc Anchieta.
"Mas o que menos importa é o resultado, o espetáculo", rebate. "Eu estou inaugurando um novo paradigma de atuação, estou formando um novo ator e isso é o que importa; para isso o Sesc mantém um Centro de Pesquisa Teatral". Srrviço - "Prêt-à-Porter 3". Espetáculos criados e desenvolvidos pelos atores e coordenados por Antunes Filho. Bom Dia, Leque de Inverno e Posso Cantar?. Duração: 2 horas. Sábado, às 18h45. R$ 10,00. Sesc Consolação - Hall de Convivência. Rua Doutor Vila Nova, 245, tel. 234-3077. Estréia sábado.