ReproduçãoLuiz Carlos Prestes: ‘‘cavaleiro da esperança’’ deu sorte
à Grande RioNo começo, parecia uma marcha militar em plena Avenida Marquês de Sapucaí, no Rio, com tanques, soldados, monumentos. A Acadêmicos do Grande Rio misturou, no enredo ‘‘Luiz Carlos Prestes, o cavaleiro da esperança’’, positivismo, comunismo, tropicalismo e funk. Foi salva pelo samba-enredo, um dos mais belos e, certamente, o mais cantado do carnaval. Os componentes cantaram animadamente e a escola foi a primeira a levantar o público no desfile de domingo.
A Grande Rio, com quatro mil componentes, foi uma das escolas que mais levou artistas para a passarela, a começar pela a rainha da bateria, Marinara Costa. O público feminino vibrou com o capoeirista Beto Simas, e os atores Hugo Gross, José de Abreu e Raul Gazzola, entre outros. Foi uma escola muito mais de baixo do que do alto. Preferiu dar destaques aos passistas da comunidade, que conquistaram o público, principalmente dos setores populares, que, ao final do desfile, gritou: ‘‘É campe㒒.
O grande destaque da escola, que fez na avenida um apelo pela reforma agrária, foi a ex-sem-terra
e atual modelo Débora Rodrigues. ‘‘Não vi ninguém do movimento’’, queixou-se. Débora estava feliz. ‘‘Se o Prestes estivesse vivo, sei que me daria apoio e não me discriminaria como fez a mulher dele’’, disse, referindo-se a Maria Prestes, que desistiu do desfile em apoio aos sem-terra contrários à presença de Débora na escola.
A Grande Rio - desenvolvendo um tema social às vésperas da eleição - também despertou a cobiça dos políticos. O prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Zito Santos, fez a apresentação da escola, agradecendo o governador do Tocantins, Siqueira Campos, pelo apoio. Campos, que foi office-boy de Prestes, é responsável por um monumento em homenagem ao líder comunista e injetou pelo menos R$ 300 mil no desfile.
Maria e os irmãos Luiz Carlos e Leocádia Prestes, por questões ideológicas, não desfilaram. Mesmo assim, 28 pessoas do clã participaram da apresentação da Grande Rio. ‘‘Se o Congresso seguisse este enredo, não faria esta reforma’’, disse o deputado federal Alexadre Cardoso (PSB-RJ), um dos diretores da escola de Caxias.

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