São Paulo, 14 (AE) - A crescente participação dos colecionadores brasileiros no mercado de arte internacional fez com que Diana D. Brooks, presidente mundial da Sothebys, dedicasse dois dias de sua atribulada agenda para manter contatos e conhecer as personalidades desse setor emergente. Ontem (13) e hoje ela se encontrou com dezenas de colecionadores cariocas e paulistas e espera que essa aproximação abra possibilidades de novos negócios. "Temos cada vez mais clientes na América Latina", diz a marchand, que segue amanhã (15) para Buenos Aires, dando continuidade a sua turnê pela região.
Apesar de não revelar números nem divulgar o nome dos colecionadores que encontrou - sabe-se apenas que ela foi homenageada ontem com um jantar oferecido por Roberto Marinho e hoje haveria uma recepção na casa do livreiro e representante da Sothebys no Brasil, Pedro Correa do Lago -, o esforço de Diana promete render lucros. Nos últimos cinco anos o volume de compras feitos por clientes brasileiros foi multiplicado por dez
fato significativo mesmo levando em consideração que a base inicial era bastante reduzida.
Segundo ela, o mercado de arte internacional vive um momento excepcional. Em outras regiões esse esforço de prospecção já tem rendido importantes resultados, tanto que 50% das vendas da casa de leilões (que faturou US$ 1,9 bilhão no ano passado) é garantido hoje pelo mercado internacional. Mesmo reconhecendo que o interesse da Sothebys no Brasil é principalmente o de conquistar novos clientes, Diana faz questão de ressaltar que os colecionadores que compram obras de arte são também aqueles que constituem os acervos capazes de alimentar um bom leilão. "É a mesma pessoa que vende e compra e por isso precisamos trabalhar com um grande número de pessoas".
A iniciativa inédita da Sothebys de lançar o primeiro site na Internet que permite participar ativamente de um leilão - com garantia de autenticidade dos produtos - caminha nessa direção de popularização e dispersão geográfica da atividade. "Sentada em seu escritório em São Paulo você poderá comprar tranquilamente uma obra de arte em Nova York", explica Diana. Foram investidos cerca de US$ 30 milhões nesse projeto, que deve entrar em funcionamento nos próximos meses.
Engana-se quem imagina que esse glamouroso universo está aberto apenas aos milionários excêntricos. Hoje 80% dos itens negociados pela Sothebys, que orgulha-se de ser a maior casa de leilões do mundo, são vendidos por menos de US$ 15 mil.

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