Raquel de CarvalhoPalácio São MiguelA construção majestosa apresenta visíveis sinais de desgaste: paredes descascadas e pintura velhaO arquipélago é reduto ecológico de várias espécies, aquário e berço de golfinhos e tartarugas marinhas, local para onde as atenções foram voltadas desde a década de 70. Num primeiro momento, pela curiosidade de conhecer e explorar um dos lugares mais belos do Brasil. Depois, técnicos e ecologistas alertaram para a necessidade de preservação da ilha, o que culminou com a criação em 1988 do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha com 112 quilômetros quadrados entre terra e mar.
Hoje o que se vê são visitantes que se esforçam em atender os apelos de preservação do ambiente, e ao mesmo tempo uma população de cerca de duas mil pessoas, que se depara com dificuldades para se manter. Antes do arquipélago ser transformado em distrito estadual de Pernambuco, o governo supria as necessidades básicas da população, como energia elétrica e água. Atualmente, os ilhéus têm que aprender a manter uma nova relação com o poder público.
No local, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) desenvolve projetos como o das tartarugas marinhas e do golfinho rotador, cuidando também da fiscalização. Ao entrar na ilha, o visitante recebe orientações sobre os cuidados essenciais para interferir o menos possível no ecossistema.
Golfinhos rotadores: sob proteção do IBAMA
O Ibama promove todas as noites no seu escritório palestras sobre o arquipélago, as espécies principais e ecologia. Segundo Marco Aurélio da Silva, coordenador do instituto em Fernando de Noronha, ações simples de nativos e visitantes contribuem para a preservação. ‘‘Nós somos responsáveis pelos golfinhos e pelas tartarugas marinhas’’, ressalta.
Projetos O coordenador do Ibama defende uma conciliação harmoniosa entre o turismo - principal fonte de renda de Fernando de Noronha - e a natureza. ‘‘Há 15 anos ninguém falava em preservar. Mas é preciso conhecer para melhor proteger e conservar’’, sentencia.
O lixo e esgoto são uma das preocupações. O lixo orgânico é transformado em adubo e o reciclável é mandado para o continente. Fossas sépticas recebem o esgoto doméstico, mas a administração da ilha ainda espera contar com uma bacia de decantação do esgoto. Hoje 70% da população é servida por esgoto e a meta, segundo Alberto Alcântara, secretário de Planejamento e Coordenação de Fernando de Noronha, é de alcançar 90%.
Na área ambiental, existem projetos selecionados pelo Banco Mundial para execução na ilha. Entre eles estão previstos a instalação de trilhas interpretativas, estudo da capacidade de ocupação da ilha, sinalização, segurança e centro de visitantes.
A arrecadação não corresponde às necessidades do distrito estadual. Segundo o secretário de planejamento, enquanto na ilha as despesas chegam a R$ 240 mil, a receita não passa de R$ 100 mil, com a taxa de preservação ambiental de R$ 13,89 por dia por pessoa, mais os impostos repassados pelo governo de Pernambuco, que Alcântara não soube precisar a quantia.
Ajuda externa Além do golfinho, da tartaruga marinha e da tartaruga verde, centro das atenções de preservacionistas, os prédios históricos de Fernando de Noronha, também estão ameaçados. Um exemplo é o Palácio São Miguel, construção majestosa, cujos sinais do tempo são visíveis nas paredes descascadas e pintura velha.
As construções estão na dependência de parcerias com a iniciativa privada e da ajuda externa. Segundo o secretário de planejamento, uma fabricante de tintas mostrou interesse em restaurar os prédios históricos, semelhante ao que aconteceu com um fabricante de eletrodomésticos, que vendeu na ilha geladeiras e freezers com a tecnologia que dispensa o gás CFC - que prejudica a camada de ozônio - por 50% do valor dividido em 25 meses. Outra empresa ligada à iluminação propõe a substituição da iluminação pública.
O Banco Mundial deverá participar na restauração do Forte dos Remédios e da capela da Quixaba e do Forte do Boldró, além da construção do Memorial de Fernando de Noronha.

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