Estudiosos e amantes das grutas e cavernas do Paraná estão preocupados com o estado de conservação de algumas reservas consideradas importantes na espeleologia (estudo das cavernas). Principalmente as que ficam na Região Metropolitana de Curitiba. Há pouco mais de um mês, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná (Geep) demonstrou que 45% das cavernas em municípios que fazem divisa com Curitiba estão totalmente ou parcialmente destruídas.
Ao todo, são 124 das 249 cavernas cadastradas no Paraná. As cavernas com pior índice de conservação estão concentradas em regiões com grandes conflitos entre áreas de mineração de calcário e belezas naturais. ''Nestes locais o turismo não é regrado. Não existe conservação e as condições são péssimas'', alertou Luís Fernando Silva da Rocha, presidente do Geep.
Quase 23% das cavernas pesquisadas já estão ameaçadas. Os principais problemas encontrados seriam a expansão do turismo predatório, crescimento urbano e extração da madeira. Apenas três cavernas da região (Gruta da Noiva em Campo Largo, Campinhos em Tunas do Paraná e Bacaetava em Colombo) estão bem conservadas. Os dados deste relatório foram apresentados em julho, no 13º Congresso Internacional de Espeleologia, em Brasília.
As soluções apontadas para a resolução do problema seriam maior integração entre órgãos ambientais e de liberação mineral, pesquisas aprofundadas sobre carga de visitação de cavernas, fauna e fragilidade do ambiente, criação de unidades de conservação e criação de uma legislação nacional que regulamentasse o uso das cavernas.
O professor Renato Eugênio de Lima, geólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), trabalha com o mapeamento espeleológico do Paraná. Ele avalia que muitas das cavernas do Estado estão bastante degradadas por causa da ação de turistas irresponsáveis. ''Em vez de visitação, existe muita depredação. Os turistas picham, pintam nomes com canetas, giz, quebram parte das cavernas. Um pedaço de rocha que leva 100 anos para se formar pode ser arrancado em alguns segundos'', afirma ele.
Uma das cavernas consideradas mais degradadas na Região Metropolitana de Curitiba é a de Lancinhas, em Rio Branco do Sul. Outra caverna que sofreu a ação de vândalos foi a caverna de Bacaetava, em Colombo. Agora, ela está tendo controle de visitação que está sendo feito pela Prefeitura. O Parque Estadual de Campinhos, na região montanhosa do Açungui (65 quilômetros de Curitiba), no município de Tunas do Paraná, também teve ações desastrosas de turistas em anos atrás.
As cavernas mais preservadas são as menos conhecidas. Geralmente aquelas que ficam em locais afastados, de pouco acesso aos turistas. Para preservá-las ainda mais e garantir a segurança futura, Lima orienta para que o governo do estado comece a investir em informações sobre a importância do patrimônio natural formado pelas cavernas e grutas. ''Sabemos que não é possível preservar todas as cavernas existentes no Paraná. Mas temos que elencar as mais significativas. Estas precisam ser protegidas'', destaca.
Entre os métodos de prevenção defendidos pelo geólogo estão a transformação das reservas em Áreas de Preservação Ambiental (APA) ou em parques ecológicos estaduais e municipais. As cavernas e grutas são formadas através de milhares de anos (entre 100 mil e 200 mil). Os tipos mais comuns de cavernas são as de rocha calcária e que somente são formadas se as rochas forem de mármore, calcário ou dolomito. ''Elas têm que ter sofrido falhas geológicas que resultaram das movimentações da crosta terrestre. Elas ocorrem da passagem da água por estas falhas geológicas, o que acaba gerando as cavidades'', explica.
O governo do Estado tem investido periodicamente em tornar algumas cavernas em local de visitação pública. O Parque Estadual de Campinhos é a quarta maior caverna do Paraná e tem 1,2 mil metros de comprimento. No entorno da caverna foi montada uma infra-estrutura de apoio com sanitários, churrasqueiras, área de lazer e playground para crianças. O parque comporta quatro cavernas: Gruta das Fadas, Portal Encantado, Abismo das Fadas e Gruta dos Jesuítas. Ela pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 9 horas às 17 horas.

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