Preservação compartilhada
Michele Muller
De Curitiba
Especial para a Folha2
O professor peruano Carlos Cano Nuñes, especialista em restauração de monumentos, está em Curitiba ministrando o curso Tecnologia de Recuperação de Patrimônio Histórico. As aulas, que iniciam hoje e vão até sexta-feira, serão abertas à comunidade.
O curso será realizado graças a um convênio entre a Antroposphera Instituto para o Desenvolvimento do Meio Ambiente a Escola Superior Autônoma de Belas Artes de Cusco, no Peru, e a Universidade Federal do Paraná. Os participantes irão aprender técnicas de conservação e restauração de prédios históricos, com visitas a diversos locais da cidade para analisar a degradação biológica que atinge algumas das construções mais antigas da capital.
Por meio da aula prática e de explicações teóricas, queremos conscientizar a população sobre o problema. Acredito que essa é a melhor maneira de recuperar os monumentos, que além do ataque de microorganismos, muitas vezes sofrem estragos causados por pichadores, diz o professor de Microbiologia e Gerenciamento Ambiental Avançado Francisco José Pereira de Campos Carvalho, um dos membros da Antroposphera.
Um dos objetivos do curso, segundo ele, é envolver os alunos em futuros projetos promovidos pelo instituto, como campanhas e trabalhos técnicos voluntários. Os maiores interessados nessa empreitada, acredita, devem ser estudantes de Biologia, Agronomia, Engenharia Química e Engenharia Civil, além de pesquisadores, professores e engenheiros.
A parceria entre a Escola de Belas Artes peruana e a Antroposphera está possibilitando a recuperação de patrimônios tanto de Cusco quanto de Curitiba. Francisco está à frente do primeiro projeto realizado no Paraná: o estudo de novas formas de controle da biodeterioração de mármores e concreto do Teatro Guaíra, para que o painel de Poty Lazzarotto que sofreu ação de fungos possa ser recuperado. O trabalho está sendo feito por alunos no curso de Pós-Graduação em Ciência do Solo, do Departamento de Solos da UFPR. Até agora, apenas parte do concreto foi recuperada.
A idéia do instituto é de, junto com a Fundação Teatro Guaíra, promover ainda este ano uma grande campanha para que sejam arrecadados fundos para a finalização dessa obra e a realização de outras. Muitos monumentos importantes, explica Francisco, foram atingidos pela deterioração fúngica (mofo) em função do clima úmido da cidade.
O curso Tecnologia de Recuperação de Patrimônio Histórico não tem limites de vagas. Será ministrado gratuitamente entre as 19 e as 22 horas na quarta e na quinta, e na sexta-feira das 8 às 12 horas e das 18 às 20 horas. Todos os alunos terão direito a um certificado de participação. Mais informações podem ser obtidas na homepage da Antroposphera: www.antroposphera.com.





