A ideia de "Genesis" surgiu enquanto ele trabalhava no reflorestamento de uma fazenda que herdou do pai no interior de Minas Gerais. "Mais de 90% dos brasileiros moram em área urbana e abandonaram o planeta. Nós dependemos muito dessa preservação", observou. Para o fotógrafo, a humanidade precisa dessa reintegração com o meio ambiente. "Isso aqui (Genesis) é uma espécie de balanço do planeta", definiu. Para Salgado, as fotos mostram lugares que o homem deve, obrigatoriamente, proteger.
Preocupado com o desrespeito à demarcação das terras indígenas no Brasil e com a saúde dos rios, o artista lembrou que a severa escassez de água em São Paulo é uma demonstração do afastamento do homem com a natureza. Outra causa que Salgado já abraçou: a recuperação da Bacia do Rio Doce, que banha os Estados de Espírito Santo e Minas Gerais.
Quando o projeto Genesis começou, Salgado chegou a pensar que seria o último grande trabalho, mas ele já está concluindo um novo livro, dessa vez, sobre café. A publicação será lançada em maio de 2015, na Itália. Também já deu os primeiros passos para um novo grande projeto, sobre comunidades indígenas, que deverá demorar mais uns quatro ou cinco anos. "Os fotógrafos nunca param. É um prazer fotografar. Não é um trabalho, entre aspas, que um dia você tem que parar e se aposentar. Fotografia é uma forma de vida", resumiu.
"Genesis" já passou por outras cidades do Brasil, França, Suíça, Itália, Inglaterra e Canadá. Em 2015, outros países também receberão a mostra, entre eles China, Coreia, Alemanha e Portugal. Essa é a terceira expedição, de longa duração, de Sebastião Salgado a questões globais. As primeiras foram Trabalhadores (1986-1992) e Êxodos (1994-1999), que retrataram as duras consequências das radicais mudanças econômicas e sociais sobre as vidas humanas. (A.D.C.)

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