Nomes do movimento negro de Londrina estarão reunidos hoje na ''Noite Presença Negra'', evento que registra a história dessa caminhada desde a época da colonização. Com apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da UEL, Secretaria Municipal da Cultura, Resgate da Raça Negra, Tradições e Identidade (Pro-Ranti) e Associação Afro-Brasileira (AABRA) de Londrina e Conselho Municipal da Comunidade Negra de Londrina, o evento será realizado a partir das 18h30, no Buffet Carvalho.
A noite será aberta com a exposição Presença Negra, com fotos e jornais do acervo do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos. Doze pranchas com fotos de 50 x 60 centímetros retratam a trajetória do negro em Londrina. As ações do movimento no País são mostradas em oito pranchas de 30 x 40 centímetros com recortes de reportagens de jornais.
A programação inclui ainda apresentação do Coral Unicanto e outros grupos. Para 21 horas está programado um jantar, no qual será servido o prato baião de dois (arroz com carne seca, linguiça, bacon, feijão e temperos). Às 21h30, tem show do grupo ''A Voz do Samba''. A festa é aberta ao público em geral e o ingresso custa R$ 3,00.
A ''Noite Presença Negra'' vai homenagear dois integrantes do movimento negro em Londrina: Maria José Barbosa, secretária municipal da Mulher, e Tito do Valle, coordenador do Procon, escolhidos como representantes da comunidade negra na luta pela participação na vida política e social da cidade.
Um dos organizadores do evento, José Idalto de Almeida, também é secretário do Conselho da Comunidade Negra, formado por representantes de cerca de 30 entidades. Ele comenta que a ''Noite Presença Negra'' pretende mostrar uma trajetória que a história oficial não conta. ''Isso inclui desde o primeiro movimento negro, na época da colonização, até os dias de hoje, com o surgimento da AABRA e a formação do Conselho Municipal, que é o elo dos movimentos da cidade'', diz.
Segundo Almeida, já em 1935 a presença negra é marcada com a chegada de um jovem, Cipriano Manoel, funcionário da Companhia de Terras Norte do Paraná e motorista particular de Arthur Thomas. Importante figura na liderança comunitária, Cipriano Manoel fundou, na década de 40, a Associação Princesa Isabel, cuja finalidade era também promover o desenvolvimento de uma nova classe social emergente.
Incentivado pelo então prefeito Antonio Fernandes Sobrinho, ele transformou a Princesa Isabel em uma organização de operários, a Associação Recreativa Operária de Londrina (AROL), um clube social que formou a primeira escola de samba de Londrina. A AROL existiu até a década de 60.
O auge do movimento negro na cidade, como conta Idalto Almeida, foi na década de 80, época em que foram criados o Movimento de União e Consciência Negra, o Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos, o Movimento de Estudos da Cultura Afro-Brasileira, o Movimento para o Progresso do Povo Negro, o Zumbi Bar, entre outros. ''Naquele período, o movimento ressurgia com caráter de denúncia. Já os dias de hoje levam a pensar o movimento na perspectiva da auto-estima, fator principal na derrubada da barreira do preconceito''.
SERVIÇO:
''Noite Presença Negra''. Hoje, a partir das 18h30, no Buffet Carvalho (BR-369, após o trevo do Grêmio Recreativo). Ingressos a R$ 3,00. Venda antecipada no Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da UEL, na 4 Elementos (loja 58 do Centro Comercial) e na Secretaria da Mulher.

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