PRÊMIOS - Cinema paranaense cresce e aparece
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sábado, 30 de agosto de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Três filmes paranaenses que brilharam no 31º Festival de Gramado têm em comum uma característica: esperaram em média quatro anos para serem finalizados. A lacuna mostra uma realidade nacional que vai de encontro ao crescimento da quantidade e qualidade dos filmes brasileiros, a falta de verba para as produções. É claro que essa não é uma particularidade estadual. ''O Homem do Ano'', por exemplo, filme do carioca José Henrique Fonseca, demorou cerca de cinco anos para ser lançado. Mas o sucesso das produções paranaenses mostra que há muito para ser explorado em um território que até então não tinha tradição cinematográfica.
O longa ''O Preço da Paz'', que estreou no festival e abocanhou dois kikitos (Melhor Montagem e Melhor Direção de Arte) e ainda o prêmio do Júri Popular, além de ter sido rodado no Paraná, resgata uma história polêmica no Estado. O filme conta a trajetória do Barão do Serro Azul. No final do século 19, Durante a Revolução Federalista, ele teria pago aos revolucionários maragatos para que não invadissem Curitiba. O filme tem direção de Paulo Morelli e produção de Maurício Appel. No elenco, veteranos como Herson Capri, Lima Duarte e Giulia Gam dividem as cenas com atores e dezenas de figurantes paranaenses
Rodado em 1999, na Lapa (71 Km a oeste de Curitiba) e em locações em estúdio montado na Capital, o filme esbarrou na alta do dólar para ser finalizado. ''Durante essa trajetória, me perguntei diversas vezes se valia a pena tanto esforço e se faria tudo de novo'', conta Appel, que assinou a sua primeira produção para um longa. ''Mas vendo o retorno e o sucesso que o filme traz por onde é exibido, acho que faria tudo outra vez'', apressa-se em complementar. Para a grande lacuna entre captação de imagens e lançamento ele atribui um só fator: a falta de dinheiro.
''Um filme é como uma escola de samba, tem que ir para avenida com uma boa média em todas as categorias'', compara o produtor. ''Por isso, não poderíamos ter uma boa captação e um som ruim, por exemplo, tudo tinha que ter qualidade e para isso precisamos de mais verba'', conta. O resultado final do investimento chegou a quase 2 milhões de dólares.
O Festival de Gramado foi a primeira grande prova a que a superprodução foi submetida. Na última quinta-feira''O Preço da Paz'' foi exibido em São Paulo para o governador Geraldo Alkmin e uma platéia formada por 1,5 mil empresários. Da exibição, Appel pretendia sair com alguns contatos para produções futuras. O produtor já tem três novos trabalhos agendados, um deles, ainda sem título, para ser filmada no norte do Estado, conforme adianta.
No próximo dia 7, o filme tem nova exibição no Guairão, em Curitiba, para convidados, mas o grande público só poderá conhecer (e aprovar ou não) o longa em março do ano que vem, quando o filme será lançado nacionalmente com cerca de 100 cópias distribuídas.
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