Prêmio Visa divulga finalistas da Edição Vocal
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segunda-feira, 03 de maio de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 04 (AE) - Os cinco finalistas do 2.º Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal são, na ordem em que se apresentaram nas semifinais, os cantores Mônica Salmaso, Tahta, Tito Bahiense
Chris Delano e Bárbara Mendes. A disputa pelo grande prêmio - R$ 40 mil para o vencedor, mais o direito de fazer um disco pela gravadora Eldorado - vai ser realizada no dia 31, no Teatro Cultura Artística. Os candidatos contarão - é opcional - com o acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica.
Os classificados do segundo ao quinto lugares concorrem a outros R$ 23 mil, a serem assim distribuídos: ao segundo colocado, R$ 10 mil; ao terceiro colocado, R$ 6 mil; ao quarto, R$ 5 mil; e ao quinto, R$ 2 mil. Todos receberão troféu e certificado de participação. Por que um certificado? Bem, o Prêmio Visa - Edição Vocal recebeu quase 1.300 inscrições. Da pré-seleção, saíram os 24 que participaram da etapa eliminatória; destes, 12 chegaram às semifinais e, desta etapa, saíram os cinco finalistas. O certificado é um atestado de qualidade.
O corpo de jurados foi presidido pelo maestro Nelson Ayres. Os outros integrantes do júri fixo eram o violonista Paulinho Nogueira, a cantora Jane Duboc, e o maestro Mário Valério Záccaro. A cada prova - foram nove, seis eliminatórias e três semifinais - havia um jurado convidado: estudiosos de música, produtores culturais, jornalistas especializados, como Zuza Homem de Mello, Ricardo Cravo Albin, Ruy Castro, Lena Fria, Danilo Santos de Miranda. O nome dos finalistas foi anunciado na noite de segunda-feira, após a realização da terceira eliminatória. Quem são - Mônica Salmaso é paulistana. Tem 28 anos e larga experiência - o festival não exigia ineditismo, mesmo porque seu propósito é não apenas revelar inéditos, mas tornar públicos valores novos que lutam pela possibilidade de mostrar-se a platéias maiores. Mônica tem dois discos gravados: num deles, recria, ao lado do violonista Paulo Bellinati, os afro-sambas compostos, nos anos 60, por Baden Powell e Vinícius de Morais; o outro disco é o solo "Trampolim", considerado um dos melhores trabalhos da MPB de 1998.
Tahta é mineira, filha de músicos - seu pai é o pianista Aécio Flávio, sua mãe a cantora Nilza Menezes. Tem também 28 anos (a idade limite para os candidatos era de 29 anos). Ainda não tem disco gravado, mas compensa o fato com larga experiência nos palcos do Rio e de Belo Horizonte. Se Mônica Salmaso é dona de canto denso e sóbrio, Tahta é arrebatada, efusiva, uma explosão vital.
Tito Bahiense é baiano e tem a mesma idade das candidatas que cantaram antes dele. Faz teatro, como ator e compositor, participou da criação do grupo Confraria da Bazófia, coordenado por Roberto Mendes, cantou com Tom Zé, foi cantor de apoio da Banda Eva e faz vocais para a cantora Ivete Sangalo. Em outras palavras, tem, por tudo o que fez, perfeito domínio de palco. Mas não só. Embora, nas apresentações, não tenha tocado nenhum instrumento, percebe-se que é músico de personalidade e que os ousados arranjos de sua banda são concepção sua.
Se Tito Bahiense ganha a platéia pela voz, mas também pela atitude em cena, Chris Delano conquista pela voz. É professora de técnica vocal, tendo escrito um livro sobre o assunto (Mais Que nunca É Preciso Cantar) e, embora não tenha disco-solo, fez participações em trabalhos importantes como o CD "Aldir Blanc - 50 Anos", comemorativo do cinquentenário do poeta. A convite dele, naturalmente.
Chris Delano, que tem 19 anos, nasceu nos Estados Unidos e é brasileira naturalizada, morando no Rio. Já Bárbara Mendes, de 27 anos, é mineira e mora nos Estados Unidos, onde atua como cantora - seu endereço profissional mais constante é o Café Wha, no West Village. Lá, canta música brasileira. É forte, exuberante, usa todo o espaço cênico para expressar-se com a voz e os movimentos do corpo.
São vozes, temperamentos diferentes, que desenham um painel do novo canto brasileiro. Que se abram as portas aos valorosos novos intérpretes e vença o melhor.


