São Paulo, 24 (AE) - Estarão abertas no início do próximo mês - a data precisa ainda vai ser divulgada - as inscrições para o 3.º Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Compositores. Vai dar um total de R$ 87,5 mil em prêmios. O primeiro colocado receberá R$ 50 mil. É a maior premiação do gênero, entre nós. O vencedor será conhecido no fim de junho.
O Prêmio Visa para compositores é uma produção da Rádio Eldorado, que o coordena e realiza. O patrocínio é dos cartões Visa. A mesma associação promoveu a primeira edição do prêmio, voltada para os instrumentistas (foi vencida pelo pianista André Mehmari, empatado com o contrabaixista Célio Barros) e a segunda edição, que premiou intérpretes vocais. A vencedora da Edição Vocal foi a cantora Mônica Salmaso. Ela recebeu prêmio em dinheiro de R$ 40 mil, um automóvel e o direito de fazer um disco pela gravadora Eldorado.
O disco, "Voadeira", acaba de ser lançado . Mônica é conhecida no meio musical. O grande público precisa conhecê-la - e o Prêmio Visa já é um importante cartão de visitas. A carreira nacional de André Mehmari e Célio Barros tornou-se efetiva depois que eles venceram o concurso. "A idéia e incentivar e promover os novos", diz o maestro Nelson Ayres, que desde a primeira edição preside a comissão de seleção e o júri do prêmio.
Nas duas primeiras edições, havia uma única limitação feita aos concorrentes: que tivessem até 29 anos de idade. Essa limitação cai na terceira edição. "Pode haver um compositor que tenha começado as 75 anos e que, aos 90, seja inédito", brinca Nelson Ayres. Pode parecer exagero. Não é inverossímil.
A Edição Vocal complementa as edições anteriores, mas Eldorado e Visa não pretendem parar por aqui. "Nossa intenção é começar de novo e, em 2001, realizar nova edição instrumental", antecipa João Lara Mesquita, diretor da Rádio Eldorado e mentor do prêmio. Mentor, também, do bienal Prêmio Eldorado de Música, a mais importante premiação nacional da música clássica, já em sua décima edição.
Isso torna João Lara o mais importante realizador de festivais do País, título de que declina: "A rádio está apenas cumprindo a tradição de levar ao público a boa música; é nossa colaboração", diz. Ele dirige uma rádio, uma gravadora e uma distribuidora que primam pela qualidade de seus produtos. Sabe que não se trata do "apenas" interposto na frase. Sabe, também
que o esforço isolado não é bastante para mudar o quadro da música brasileira, dominada por bobagens oportunistas: "O problema começa na base, na educação precária, e tem a ponta mais evidente no caráter apelativo das televisões, que brigam pela massa de audiência e influenciam as rádios, por sua vez espremidas entre a prática do jabá e as seitas religiosas que as querem comprar."
Mas acha que sempre foi assim. "Desde pequeno gostei de música boa, que nunca foi muito fácil de achar, não estava assim tão à vista; era preciso procurar nos jornais, ir atrás", lembra. "A situação piorou, mas é basicamente a mesma."
Os interessados em concorrer ao 3.º Prêmio Visa de MPB - Edição Compositor devem ser brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil há mais de dez anos. Um termo restritivo está em fase de definição. Em princípio, quem houver gravado ou houver sido gravado profissionalmente (com distribuição nacional do disco) nos últimos dez anos não poderá concorrer. A redação final do regulamento explicitará os termos.
Importante: o Visa é um festival único, pois não premia uma música, como outros, e sim o compositor. Cada concorrente, à medida que for vencendo as etapas, terá de mostrar no mínimo sete composições. Sai premiada a obra. Parece mais justo, pois não?

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