Prêmio Shell homenageia Bibi Ferreira
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quarta-feira, 30 de abril de 2003
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Rio - Bibi Ferreira e Toni Ramos foram os grandes homenageados do 15º Prêmio Shell de Teatro, entregue na noite de terça-feira, numa festa do Armazém 5 do Cais do Porto, no Rio. Ela recebeu um troféu pelo conjunto de obra em mais de 60 anos de carreira (embora nenhum dos cinco espetáculos dirigidos por ela tenha sido indicado) e ele foi escolhido o melhor ator por ''Novas Diretrizes em Tempos de Paz'', que volta a São Paulo no próximo mês, depois de vitoriosa temporada no Rio de Janeiro. Os dois confessaram no palco que era a primeira vez que recebiam o prêmio (ele, com quase 40 anos de carreira, a se completar no ano que vem) e o ofereceram a seus colegas, com palavras de incentivo aos novos atores que começam na profissão.
O tom da festa foi de emoção, pois desde o início da noite Bibi era saudada com emoção por onde passasse e Toni, como o vencedor da noite. O ator citou toda a equipe de seu espetáculo, disse que via seu início de carreira, na peça ''Quando as Máquinas Param'', de Plínio Marcos, ao lado de Walderez de Barros, lembrou Flávio Rangel, que o dirigiu em ''O Pagador de Promessas'', e garantiu aos iniciantes o mesmo êxito que ele experimenta em sua carreira, ''por respeitar o público que paga para vê-los''.
Bibi recebeu o troféu de Irene Ravache e disse que o segredo de sua jovialidade, aos 81 anos, é estar sempre em atividade. ''O importante é não parar. Considero-me tão jovem quanto todos os que receberam o prêmio hoje'', afirmou ela, que ainda brincou: ''Realmente, a Shell excede.''
O presidente da Shell no Brasil, Aldo Castelli, informou que a empresa investe anualmente R$ 3 milhões em seus projetos de arte, cultura e desenvolvimento social e lembrou seu pioneirismo, por ter criado o Prêmio Shell de Música há 20 anos e ter sido um dos primeiros patrocinadores de teatro, antes mesmo do advento das leis de incentivo à cultura.
A festa lotou o Armazém 5, um antigo depósito de mercadorias do porto do Rio arrendado pela prefeitura que lá realiza grandes eventos. Lá estavam, entre outros, Lucinha Lins e Cláudio Tovar, Daniel Filho, Flávio Marinho, Drica Moraes e Lázaro Ramos (indicados para melhor atriz e melhor ator), Monique Gardenberg (a criadora do Free Jazz, cujo espetáculo em que estreou como diretora, ''Os Afluentes do Rio Ota'', recebeu cinco indicações, mas ficou sem prêmio) e Marieta Severo, que chegou depois da cerimônia, quando o local foi transformado numa grande discoteca.
Os laureados do 15º Prêmio Shell são os seguintes: Walcir Carrasco, como melhor autor por ''Êxtase''; Renato Machado, pela iluminação de ''Teresa d'Ávila, a Santa Descalça''; Gabriel Moura, pela música de ''Noites do Vidigal''; Heloísa Frederico, pela música de ''As Artimanhas de Scapino''; José Dias, pelo cenário de ''Teresa d'Ávila, a Santa Descalça''; Toni Ramos, melhor ator em ''Novas Diretrizes em Tempos de Paz''; Andréa Beltrão, melhor atriz em ''A Prova''; Aderbal Freire-Filho pela direção de ''A Prova'', e Nara Keiserman pela direção de movimento em ''O Auto do Novilho Furtado''.


