Um dos dois pode ganhar. Os dramaturgos londrinenses Mário Bortolotto e Maurício Arruda Mendonça concorrem apenas entre si e com Luiz Alberto Abreu na disputa pela versão paulistana do Prêmio Shell de Teatro de 2003, do qual participam como finalistas na categoria ''Autor''.
A lista de indicados do segundo semestre foi divulgada na última terça-feira. A peça ''Pequeno Sonho em Vermelho'', com direção de Francisco Medeiros e Lucienne Guedes, foi a que mais recebeu indicações, sendo contemplada nas categorias direção, cenário, iluminação e música.
Bortolotto disputa o troféu pelo texto de ''A frente fria que a chuva traz''. Ele é diretor do grupo Cemitério de Automóveis. Completou 22 anos de carreira e 40 de idade. Já abocanhou o Prêmio Shell como Melhor Autor (em 2000) pelo texto ''Nossa Vida não vale um Chevrolet'', além de já ter sido indicado na categoria ''Ator'' por suas atuações nos espetáculos ''Santidade'' (sob direção de Fauzi Arap) e ''Hotel Lancaster''.
Ele, aliás, é o protagonista do monólogo ''Kerouac'', peça responsável pela indicação de Mendonça ao cobiçado troféu. ''Keroauc', que esteve em cartaz em Londrina, foi dirigida pelo consagrado Fauzi Arap e montada com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Apresentada em São Paulo, colecionou elogios da crítica especializada.
Escrita por Mendonça especialmente para o amigo Bortolotto interpretar, a montagem mostra os últimos anos de vida do escritor norte-americano Jack Kerouac, expoente da ''geração beat''. Com a peça, o autor concorre pela primeira vez ao Prêmio Shell. Diferente do colega, que está radicado na capital paulista desde 1996, Mendonça permanece em Londrina onde se destaca também como poeta e tradutor.
A chance de conquistar o troféu é grande para os dois artistas, já que a lista de indicados do primeiro semestre não contemplou nenhum autor, levando inclusive algumas pessoas a questionarem a tão festejada ''nova dramaturgia brasileira''. Convém lembrar que o Prêmio Shell de Teatro apresenta duas listas ao longo do ano, uma no primeiro semestre e outra no segundo.
São realizadas edições paralelas em São Paulo e no Rio de Janeiro, destacando separadamente os espetáculos apresentados nas respectivas cidades entre 1 de janeiro e 31 de dezembro. A revelação dos vencedores ocorre no dia da entrega do Prêmio, sendo que concorrem os selecionados dos dois semestres. A festa está programada para o final de março.

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