Prêmio Pulitzer surpreende mais uma vez
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terça-feira, 17 de abril de 2001
Sérgio Dávila Agência Folha 
Quando sai de sua área de excelência, o jornalismo, em que é o mais importante dos EUA, o Pulitzer não é marcado exatamente pela ousadia. Tome por exemplo os premiados em literatura anunciados na tarde de anteontem na Universidade Columbia, em Nova York.
Mas, de vez em quando, os 19 membros do conselho permanente do prêmio surpreendem. Foi assim em 1997, quando o trompetista Wynton Marsalis ganhou a distinção, o primeiro (e único até agora) jazzista a conseguir tal feito em 85 anos de premiação.
Foi assim neste ano de novo, quando o nome do escritor Michael Chabon foi anunciado como vencedor na categoria ficção. Seu The Amazing Adventures of Kavalier & Clay (As Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay, lançado pela editora Random House nos Estados Unidos) é um dos livros mais criativos e descompromissados do ano.
Passa-se entre os anos 30 e 50 e revive a era de ouro dos quadrinhos, a verdadeira arte americana. Recebido pelo suingue e os bares do centro, Joseph Kavalier desembarca em Nova York aos 18 anos vindo do gueto judeu de Varsóvia. Com seu primo Sammy Clay, cria o super-herói Escapista, defensor da liberdade.
A dupla vai se apaixonar pela artista de vanguarda Rosa de Luxemburgo Saks (porque ela trabalha nesta loja), que nos quadrinhos vira a heroína Luna Moth. Por ela, o Escapista luta contra Attila Haxoff, cujos razis invadiram a Zotênia, a Gotsilvânia e a Dracônia (como a guerra ainda não acabou, seu editor temia processos).
São 636 páginas de bom humor, engenho e originalidade, em um romance em que a vida dos autores se revela mais heróica do que a dos quadrinhos.
Chabon é autor ainda do livro homônimo que deu origem ao excelente filme Garotos Incríveis, lançado no Brasil pela Record, assim como Usina de Sonhos. Agora, acaba de escrever Summerland, que vira filme em seguida, e prepara-se para pôr no papel uma ficção para gente grande.


