São Paulo, 21 (AE) - A quinta eliminatória do 10.º Prêmio Eldorado de Música, ontem (20), levou ao palco do Teatro Cultura Artística candidatos fracos. Dois deles apresentaram graves deficiências técnicas - o flautista Otávio Bloes, que inaugurou a noite, e a violinista Maria Fernanda Krug, que a encerrou. Entre eles, tocou o pianista Fernando Reis, tecnicamente mais consistente, mas incapaz de qualquer intenção interpretativa.
Otávio Bloes selecionou repertório difícil -a "Partita BWV 1.013", para flauta-solo, de Bach, a "Sonatina", de Camargo Guarnieri, e a "Sonatina", de Dutilleux. São peças que exigem domínio da respiração, dicção clara, sonoridade definida - e o jovem músico não tem nenhuma das qualidades. Pelo contrário, sua flauta emite som áspero, sua respiração é entrecortada, as notas embaralham-se e a afinação deixa a desejar. Pode-se imaginar que as falhas se devam à inexperiência do músico, de apenas 23 anos. Nesse caso, ele poderia ter escolhido repertório mais adequado.
O pianista Fernando Reis é caso diferente. Seu toque evidencia o aperfeiçoamento técnico em exigentes escolas internacionais. Mas a música intui e transporta estados de alma - não é mero objeto de habilidades mecânicas, e as habilidades de Fernando Reis são mecânicas. Executou cada uma das peças escolhidas, entre elas o "Choros n.º 5 - Alma Brasileira", de Villa-Lobos, e o "Scherzo n.º 2, Opus 31", de Chopin, como se fossem marchas para tropas imaginárias. Estendeu o equívoco da leitura à "Suíte para Piano", de Debussy.
Curiosamente, a mais fraca, em termos técnicos, e mais jovem (22 anos) candidata da noite, a violinista Maria Fernanda Krug, foi quem deixou no ar mais esperanças. Perdeu-se, semitonando e falhando nos ataques do arco, nas difíceis "Nigun" (Bloch) e "Sonata n.º 2", para violino-solo (Bach), mas mostrou alma, sensibilidade, ao interpretar a "Sonata em Lá Maior", de Leopoldo Miguéz. É uma artista. Precisa só de técnica - coisa que o tempo e o estudo dedicado podem trazer.

mockup