O jornalista Zeca Corrêa Leite, repórter da ''Folha'' em Curitiba,
recebeu anteontem o seu primeiro troféu ''Gralha Azul''. O texto do espetáculo ''Quinhentas Vozes'', criado por ele, foi considerado o melhor de 2001. Quando seu nome foi anunciado nos microfones do Círculo Militar do Paraná, onde aconteceu a cerimônia de entrega dos prêmios, ele se emocionou.
Como era de se esperar, Zeca, ao receber o troféu, agradeceu o empenho da atriz Silvanah Santos e do diretor Rodolfo García Vásquez na montagem do espetáculo. ''Quando a Silvanah me pediu para fazer um texto para teatro, relutei. Disse que não dominava a técnica teatral. O máximo que eu poderia fazer era escrever poemas. Foram eles os responsáveis pela linearidade da peça. Apenas mandei os poemas para eles teatralizarem'', contou o jornalista.
''Quinhentas Vozes'' relata um período da vida social e política do Brasil. Começa em 1954, um dia após a morte do presidente Getúlio Vargas, e termina no dia seguinte a Revolução de 1964 - a chegada dos militares ao poder levou o País a uma época de repressão intelectual. A trama é centrada em uma mulher interiorana, que vê os anos passarem ouvindo um rádio.
O prestígio da premiação deve levar a peça a ser apresentada novamente no início do próximo ano. Zequinha, como é carinhosamente chamado pelos amigos, torce para que o espetáculo retorne para temporadas em Curitiba e São Paulo. ''Quinhentas Vozes' amadureceu após uma temporada de dois meses na capital paulista, no Espaço Cultural Satyros. Hoje a peça está mais redonda'', avalia.
O autor caiu na vida teatral por acaso. ''Devo a Elis Regina minha entrada no mundo dos textos. Fiz um texto sobre a cantora, que faleceu no início dos anos 80, e convidei a Silvanah para representá-lo, na TV Educativa. Ela gostou e me chamou. Fiquei um ano escrevendo até que desencantei. As meninas não gostaram do meu atraso, mas aguentaram. O resultado foi coroado esta noite, com seis prêmios Gralha Azul.''
Após a solenidade de premiação, Zeca foi o vencedor mais solicitado para entrevistas e parabéns. Ele ficou recebendo cumprimentos durante 20 minutos. A ponto dos repórteres ficarem impacientes. No final o contemplado extrapolou: ''É muita emoção. Foi me dado um presente. Se eu pudesse eternizava esse momento.''

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