A versão paulistana do Prêmio Shell de Teatro da temporada 2007 foi marcada, na noite de terça, pela divisão de prêmios entre as peças concorrentes. Três delas - ''Salmo 91'', ''Vemvai - O Caminho dos Mortos'' e ''Aos que Virão Depois de Nós: Kassandra in Process'' - levaram para casa dois troféus cada uma. Na festa, muitos dos premiados fizeram questão de convocar a classe para uma mobilização no próximo dia 27, Dia Mundial do Teatro.
Coube a Cibele Forjaz o mais aguardado prêmio da noite, o de direção, por ''Vemvai - O Caminho dos Mortos'', deixando para atrás nomes de peso como Cacá Carvalho e Gabriel Villela. A peça ganhou ainda o troféu de melhor atriz para Lúcia Romano. Ao subir ao palco para receber o prêmio das mãos do mestre-de-cerimônias José Wilker, a pequena Forjaz disse que o troféu era o reconhecimento de 25 anos de trabalho coletivo. ''Quero dedicar este prêmio à arte coletiva que resta e resiste em todo o Brasil'', disse ela, que ainda pediu para Wilker chamar os ''globais'' para a mobilização em defesa do teatro.
Ganhador do prêmio de melhor autor por ''Salmo 91'', o jornalista Dib Carneiro Neto aproveitou o microfone para fazer considerações. A peça escrita por ele a partir do livro ''Estação Carandiru'', de Drauzio Varella, ganhou ainda o troféu de melhor ator, concedido a Rodolfo Vaz, que não compareceu à festa por causa da temporada do espetáculo no Rio.
Neto tocou no ponto mais polêmico da 20 edição do Shell: o pequeno número de indicados como autor. Só ele e Daniela Pereira de Carvalho (''Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária'') concorriam. ''Deixaram espaços em branco na categoria autor. Um prêmio como o Shell vai ser usado no futuro como estudo, e vão achar que em 2007 a dramaturgia do Rio - onde houve cinco indicados - se renovou mais do que a de São Paulo. E isto não é verdade. Gostaria de sugerir que em 2008 todos os vazios sejam preenchidos'', disse.
O grupo gaúcho Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz levou o troféu da categoria especial pela pesquisa e criação coletiva do espetáculo ''Aos que Virão Depois de Nós: Kassandra in Process''. A peça recebeu ainda o prêmio de melhor música para Johann Alex de Souza. Os prêmios de cenário foram para Gilberto Gawronski (''Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária''), de figurino para Márcio Vinícius (''Divinas Palavras'') e de iluminação para Fábio Retti (''O Homem Provisório''). O homenageado foi o argentino naturalizado brasileiro Ilo Krugli, do grupo Ventoforte.

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