O poeta sírio Adonis (Ali Ahmad Said) lidera a lista dos candidatos favoritos ao prêmio Nobel de Literatura deste ano, que será anunciado hoje, em Estocolmo. Conhecido por suas polêmicas declarações contra o sionismo e igualmente por combater as ditaduras árabes, Adonis defende uma poesia distante das instituições políticas e mandamentos religiosos - vale dizer, não ligada ao islamismo. Adonis combina em sua literatura ecos da poesia pré-islâmica e o experimentalismo moderno, mas vai ter de enfrentar outro bom poeta, o sueco Tomas Transtroemer, e escritores eternamente na lista - o norte-americano Philip Roth, o albanês Ismail Kadaré, o checo Milan Kundera -, além de duas fortes candidatas, a canadense Margaret Atwood e a norte-americana Joyce Carol Oates.
As chances de ambas são grandes. Desde 1901, quando foi concedido pela primeira vez, o Nobel de Literatura premiou apenas nove mulheres. De qualquer modo, a Academia Sueca fez seu ''mea-culpa'' no ano passado, ao premiar a austríaca Elfriede Jelinek, autora do polêmico ''A Professora de Piano''.
O azarão nessa disputa é o jornalista polonês Ryszard Kapuscinski, autor de dois livros importantes para o entendimento do mundo atual, ''O Imperador'' e ''Ébano - Minha Vida na África'', ambos lançados no Brasil pela Companhia das Letras, que também publica livros de Roth e Margaret Atwood.

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