PRÊMIO - Britânico ganha o Nobel de Literatura
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O dramaturgo britânico Harold Pinter, 74 anos, é o mais novo membro da seleta galeria de vencedores do Prêmio Nobel de Literatura. Seu nome foi anunciado ontem, com atraso, pela Academia Sueca. O anúncio estava previsto para a semana passada junto com a revelação dos ganhadores das demais categorias.
Pinter derrubou a lista de nomes favoritos cogitados pela imprensa e que incluía os americanos Philip Roth e Joyce Carol Oates, a canadense Margareth Atwood, o somalês Nuruddin Farah, o sueco Tomas Transtromer, o sírio Ali Ahmad Said e o coreano Ko Un. Ele recebe o prêmio oito meses depois de declarar à BBC londrina que deixaria de escrever peças para se dedicar a textos de crítica política e à poesia.
Seu último livro, aliás, foi o volume de poesia engajada ''War'' (Guerra), publicado há dois anos e que lhe rendeu o prêmio Wilfred Owen. Nos versos, ele critica a invasão ao Iraque, temática também abordada em artigos para a imprensa nos quais já chamou o primeiro-ministro inglês Tony Blair de ''criminoso de guerra'' e descreveu os Estados Unidos como um país ''dirigido por um bando de delinquentes''.
Seu texto mais recente para o teatro é ''Remembrance of Things Past'' (Memória de Coisas Passadas), de 2000, levado ao palco do National Theatre de Londres. Pertencente à geração dos Angry Young Men (jovens irados), Pinter é considerado um dos mais importantes dramaturgos britânicos do pós-guerra. Entre suas peças mais famosas estão ''A Volta ao Lar'', ''A Mulher do Tenente Francês'' (que recebeu uma versão cinematográfica), ''Festa de Aniversário'' e ''Antigamente''.
Ele estreou na dramaturgia em 1957 com a peça ''The Room'', após um início de carreira artística como ator, quando atuava sob o pseudônino de David Baron. Escreveu e encenou mais de 30 peças até o momento. Para justificar sua escolha como o vencedor do prêmio máximo da literatura mundial, os 18 membros vitalícios da Academia divulgaram um texto obscurantista em que ressaltam a qualidade de suas obras ''nas quais revela o precipício que há por trás do balbuciar cotidiano e que entram nos espaços fechados da opressão''.
Mais esclarecedores, diversos críticos já saudaram o trabalho do dramaturgo. Um deles anotou, certa vez, que ''as suas palavras não dizem o que dizem, dizem mais. O enigma é muito interessante porque está bem perto da verdade da vida''. Um outro enfatizou o universo feito de sub-entendidos, mal-entendidos ou puros equívocos.
''Nele observa-se, como se fosse ao microscópio, personagens que vegetam confusamente, de quem quase nada se sabe e que, de repente, explode num confronto em que as palavras são armas mortais. Estamos no reino do falso para se atingir uma verdade que é ainda mais falsa. As perguntas que se colocam não são aquelas que nos vêm à cabeça e a resposta, ou a recusa de responder limita-se a aumentar o abismo da incompreensão'' sublinhou.
Pinter escreveu também para rádio, televisão e cinema. Nas telas trabalhou em parceria com diretores como Joseph Losey, Elia Kazan e Paul Schrader. Ao longo da trajetória, faturou incontáveis láureas e distinções. O novo troféu sucede a uma ruidosa controvérsia na Academia Sueca, protagonizada na última semana por um dos integrantes (Knut Ahnlund), que disparou impropérios contra os colegas pela escolha da escritora Elfriede Jelinek no ano passado.
Alheio ao barraco, Harold Pinter aguarda o dia 10 de dezembro, quando embolsará o prêmio de 1,1 milhão de euros.
Confira os últimos 15 ganhadores do Nobel de Literatura
- 2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
- 2003: John Maxwell Coetzee (África do Sul)
- 2002: Imre Kertész (Hungria)
- 2001: VS Naipaul (Grã-Bretanha)
- 2000: Gao Xingjian (França)
- 1999: Gunter Grass (Alemanha)
- 1998: José Saramago (Portugal)
- 1997: Dario Fo (Itália)
- 1996: Wislawa Szymborska (Polônia)
- 1995: Seamus Heaney (Irlanda)
- 1994: Kenzaburo Oe (Japão)
- 1993: Toni Morrison (Etados Unidos)
- 1992: Derek Walcott (Santa Lucía)
- 1991: Nadine Gordimer (África do Sul)
- 1990: Octavio Paz (México)


