A revista norte-americana ‘‘Premiere’’ chega aos dez anos consagrando a fórmula que inventou para falar de cinema: os lucros, prejuízos e negócios por trás das produções de Hollywood.
O atestado está na capa da edição especial de décimo aniversário (mês de outubro), que anuncia ‘‘os novos visionários’’ da indústria cinematográfica.
Engana-se quem pensa em diretores de vanguarda ou novos nomes. Interessada sobretudo no ‘‘mainstream’’, a revista reúne sob esse título Mel Gibson (‘‘Coração Valente’’), Jodie Foster (‘‘Mentes que Brilham’’) e Kevin Costner (‘‘Dança com Lobos’’). Ou seja, um trio de atores bem-sucedidos que vêm conseguindo o mesmo desempenho atrás das câmeras, dirigindo. Vencedores de vários Oscar, eles são, segundo a revista, aqueles que ‘‘estão assumindo o controle em Hollywood’’ num ano em que blockbusters como ‘‘Batman & Robin’’ e ‘‘Velocidade Máxima 2’’ ficaram aquém das expectativas dos executivos.
A edição conta ainda com um balanço em números mostrando as mudanças e os principais fatos de Hollywood no decênio 1987-1997 e uma galeria de fotos com celebridades da indústria cinematográfica produzidas especialmente para as páginas da ‘‘Premiere’’ no período.
A postura adotada pela revista - implantada pela editora-fundadora Susan Lyne - tem por objetivo mostrar a grande indústria que está por trás da maior parte das produções norte-americanas. Mas o modelo tem seus problemas. E os editores da revista assumem tal fato, dizendo estar sempre à procura de equilíbrio. ‘‘Não queremos ser vistos como uma revista de negócios’’, afirmou o editor-sênior Glenn Kenny, 38. Para Kenny, a cobertura de cinema nos Estados Unidos hoje está mais direcionada para as questões comerciais e empresariais do que para o conteúdo dos filmes, aquilo que ele chama de ‘‘bom cinema’’. ‘‘Não acredito que a ‘Premiere’ tenha contribuído para a situação atual mais do que os outros órgãos de imprensa, especialmente a televisão’’, disse.

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