Premiado Tatuagem
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quarta-feira, 06 de agosto de 2014
Reportagem Local 
O longa "Tatuagem", de Hilton Lacerda, que entra em cartaz hoje no Cine Com-
Tour, em Londrina, foi considerado o melhor filme do cinema nacional no ano passado pelos jurados do 41º Festival de Gramado. O filme também levou o prêmio de melhor ator, pela atuação de Irandhir Santos.
Outro júri, o do Festival do Rio - na Première Brasil, fez justiça, e em dobro. Não apenas Garcia ganhou o prêmio de coadjuvante, - como seu colega de elenco, Jesuíta Barbosa, recebeu o Redentor de melhor ator. O júri do Rio deu seu prêmio especial ao longa de Hilton Lacerda, e ele recebeu o Redentor de melhor filme do público.
O filme conta a história de Clécio (Irandhir) e Fininha (Jesuíta), que iniciam uma relação homoafetiva durante a ditadura militar. O longa de Lacerda é muito forte, mas, como aborda o universo gay e já passou no Festival Mix Brasil, Tatuagem corre o risco de ganhar um rótulo e ficar confinado ao gueto. Será injusto com uma obra que você não precisa amar para constatar: todo o elenco do filme é excepcional, mas o trio Irandhir Santos/Jesuíta Barbosa/Rodrigo Garcia é fora de série.
Paulette, a transformista de Garcia, é extrovertida, uma personagem para 'fora', o que não a impede de ter um momento muito denso de diálogo com Irandhir, quando ambos se abrem e falam de solidões, de desejos.
Garcia, como Jesu - e boa parte da equipe de Tatuagem, incluindo o diretor, é de Pernambuco. A família apoiou sua vontade de ser ator e ele foi estudar interpretação em Londres. Foi um aprendizado muito rico, mas ele nunca quis ser um ator fleumático, à inglesa.
Jesuíta Barbosa é magrinho - tem o physique du rôle para fazer Fininha. Seu personagem é o garoto que sofre bullying no Exército mas intrépida trupe a que Fininha se liga. Nesse processo, a sexualidade - homo - vem à tona, na ligação com Clécio (Irandhir). Mas Tatuagem é também uma crônica de crescimento, filtrada pelos olhos do menino que vive nesse mundo de transgressão (e afeto). Esse menino é o próprio diretor Lacerda. Mesmo que o filme não seja autobiográfico, ele projetou muita coisa dele (e da sua formação) na história. (com Agência Estado)


