Premiação de 'À Grega' surpreende
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
De Curitiba 
Um cenário composto por 300 crânios e muito arame farpado, um texto violento e uma platéia em estado de choque. Quem assistiu à montagem de À Grega numa das noites frias do inverno curitibano provavelmente não imaginou que aquele fosse ser considerado o Melhor Espetáculo do ano pelo tradicional Troféu Gralha Azul. Nem o próprio diretor, Marcelo Marchioro, esperava.
Nunca, em nenhum momento pensei nisto, afirma. O que ele já sabia, entretanto, é que o espetáculo estava agradando e instigando ao público. A prova disto, toda a companhia (Usina das Artes) sentiu na pele. A cada dia, a pequena platéia do Teatro Espaço Dois (com apenas 32 lugares) ficava mais lotada. Era o famoso boca a boca, justifica orgulhoso. Na última semana, o auditório chegou a comportar 45 pessoas de uma só vez, deixando parte do público para fora.
Para estas pessoas que não conseguiram assistir, iremos fazer nova temporada de À Grega em 2001, promete Marchioro. Apesar de toda a agressão verbal retratada no palco, ele diz que o espetáculo não é violento gratuitamente. Marchioro afirma ainda que se sente muito feliz porque as pessoas entenderam e aceitaram sua proposta.
Nas palavras do próprio Marchioro, À Grega é um grande poema contemporâneo sobre a violência e sobre a não-vida, sobre os desencontros e sobre a decadência das relações. O texto é do inglês Steven Berkoff. Fazer esta peça foi um processo árduo e sofrido, conclui o diretor.(S.M.)


