Nova York - O saudosismo marcou a cerimônia do Grammy, transmitido de Los Angeles na noite de anteontem. Da homenagem aos Beatles à tentativa de ressurreição de Prince, passando pela participação do Parliament Funkadelic, o prêmio firmou-se em referências do passado. Enquanto isso, um dos poucos sinais de que a música comercial tem salvação é Beyoncé Knowles. Ela ganhou cinco dos seis prêmios a que foi indicada, serviu de ''viagra'' para o que restou da carreira de Prince e impressionou com a apresentação de ''Dangerously in Love'' (que teve uma das produções mais duvidosas da noite).
A voz, a imagem e o carisma da cantora conquistaram os Estados Unidos e a Academia de Artes e Ciências Fonográficas em 2003. Como uma espécie de Tina Turner mais graciosa, Beyoncé acompanhou o artista novamente conhecido como Prince em um medley que incluiu ''Purple Rain'', ''She's Got the Look'' e ''Crazy in Love'' (a celebração aos anos 80 também veio com a interpretação de ''Roxane'' por Sting). Mais adiante, a cantora apareceu dentro de um quadro vivo, com figurantes em trajes de época e terminou um número recheado de virtuosismos vocais com uma pomba branca na mão (!).
O saudosismo foi ainda celebrado na homenagem aos 40 anos do início da beatlemania nos Estados Unidos (com uma lacrimejante Yoko Ono); na apresentação do Earth, Wind & Fire com George Clinton e o Parliament Funkadelic (em que Samuel L.Jackson celebrou seu personagem de ''Pulp Fiction''); nos penteados anos 20 de Alicia Keys e Christina Aguilera.
A presença de Janet Jackson também foi sentida na cerimônia, mesmo sem ela ter aparecido. Justin Timberlake aproveitou um discurso de agradecimento para se desculpar novamente pelo ''Tetagate''. Minutos depois do final do evento, a rede de TV CBS, que transmitiu o Super Bowl no domingo, e o Grammy revelaram que o pedido de desculpas foi uma condição para a presença do cantor. A mesma ''oferta'' teria sido feita para Janet, mas, de acordo com Patti Labelle, amiga pessoal da cantora, o convite não foi reiterado depois do incidente.
Christina Aguilera brincou que iria tentar não deixar os seios saírem de um decotado vestido, para não ter que enfrentar as mesmas reações. Nos bastidores, ela disse que ''está na hora de esquecer o assunto''. ''Há problemas mais sérios no mundo.'' Labelle foi mais irônica, dizendo que um grupo de talentosos artistas, incluindo Janet Jackson, iriam homenagear Luther Vandross.
Curiosamente, as protagonistas de outro grande escândalo da TV recente não ganharam atenção no Grammy: enquanto Britney Spears nem apareceu na cerimônia, Madonna fez um entrada insossa para apresentar Sting. Por um acidente de edição, a pop star veterana (que perdeu o Grammy de melhor faixa dance para Kylie Minogue) ainda apareceu rindo de Yoko Ono enquanto a viúva de John Lennon soluçava ao fazer uma homenagem a John Lennon.
A maior ironia do Grammy 2004 é que, mesmo com o atraso de transmissão de cinco minutos, programado para conter possíveis novos ''Tetagates'', sérios problemas técnicos ocorreram. O principal deles foi com Céline Dion, que começou a cantar sem que o áudio fosse mixado para a transmissão televisiva. A conversa de técnicos podia ser ouvida, enquanto a cantora reclamava que estava sem retorno nos ouvidos. O número acabou sendo reiniciado, mas com uma boa dose de microfonia.

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