Prejuízo acaba com Salão do Livro; no 2000 volta a Bienal
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de maio de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 04 (AE) - O Salão Internacional do Livro de São Paulo foi o primeiro e o último. No ano que vem, volta a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que já teve 15 edições anteriores ao salão e deve centrar sua programação nas comemorações dos 500 anos do Descobrimento. A Câmara Brasileira do Livro deve arquivar a idéia de fazer uma feira anual ou buscar um novo formato para o evento.
Os motivos são muitos. Houve prejuízo generalizado dos editores em São Paulo. O editor da Manole chegou a pedir desligamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Embora o número não seja oficial, é provável que o número de frequentadores do salão não passe de 300 mil. Um indicador foi o sorteio de um Ford Ka por uma das editoras do salão. Para ter o cupom do sorteio, era preciso ter comprado um livro. Só 200 mil cupons concorreram. Das duas uma: ou ninguém comprou livro ou só foram à feira uns poucos gatos pingados.
Ambas as feiras têm seus números insuflados pelas visitas agendadas de escolas e professores. No Rio, metade dos visitantes são escolares. Em São Paulo (os números oficiais só serão divulgados no sábado), a visitação escolar foi preponderante. As feiras também marcaram a divisão política entre editores e livreiros - os primeiros ficaram no Rio, os outros em São Paulo.
A divisão ocorre num momento de reaquecimento do mercado. Divulgado hoje pela Câmara Brasileira do Livro, o faturamento da indústria editorial brasileira no ano passado foi de R$ 2 bilhões, registrando um aumento de 13% em relação a 1997. Desde 1996, as editoras vinham sofrendo queda progressiva nos lucros (faturaram US$ 1,89 bilhão em 1996 e US$ 1,84 bilhão em 1997).
Tanto o salão quanto a bienal estão atrás, fundamentalmente, de recuperar para os editores os lucros do livro didático, principal mola propulsora do mercado nacional - à frente dos esotéricos e religiosos, outro grande filão. Em 1997, as vendas de didáticos caíram 23% e esses resultados negativos acabaram influindo nas vendas.
Nesse intento, o Salão do Livro de São Paulo deu um passo adiante: trouxe para a mostra o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que deu sinais de que há um comprometimento do governo em aumentar as compras de didáticos para escolas e bibliotecas. Ou pelo menos democratizar a aquisição - atualmente
35% dos livros didáticos utilizados nas escolas públicas são adquiridos em Brasília pelo governo. O ministro Paulo Renato Souza falou em discurso na inauguração do evento.
Nos pequenos embates diários travados entre o finado Salão do Livro de São Paulo e a Bienal do Livro do Rio, um foi melancólico: o salão paulistano cortejou o Prêmio Nobel José Saramago, estrela máxima do Rio, e convidou-o para estar em São Paulo no fim de semana da abertura do salão. Saramago esquivou-se e não veio a São Paulo - não se sabe se por orientação de sua editora, a Companhia das Letras, que foi dissidente do salão, ou se por decisão própria, para evitar meter-se em uma disputa.


