Quando ''Predador'' foi lançado em 1987 ninguém esperava que um filme de pouco mais de US$ 10 milhões e com elenco limitado poderia se tornar uma franquia, popularizar um ator como Arnold Shwarzenegger e uma criatura esquisita, parecida com um siri cheio de dreadlocks. Muito menos que abocanharia US$ 60 milhões em bilheteria só nos Estados Unidos. O quinto longa da criatura evoca o passado, repete algumas fórmulas, aposta na simplicidade e consegue revigorar uma série que estava aos cacos. ''Predadores'', que tem a bela presença da brasileira Alice Braga, estreia hoje em circuito nacional (ver programação de cinema).
Impossível dissociar esta nova aventura com as anteriores. ''Predador'', violento, fez sucesso o suficiente para que houvesse uma continuação, também bem recebida pelo público, que viu a criatura sair das selvas para enfrentar Danny Glover em um cenário urbano. O culto ao alienígena cresceu e os projetos para um novo longa foram engavetados durante os anos 90 até que em 2004 resolveram juntar duas boas ideias num péssimo filme, ''Aliens vs Predador''.
Por incrível que pareça, a união rendeu uma sequência tão ruim quanto, o que motivou muita gente a pedir um recomeço, um ''back-to-basics''. Foi aí que chamaram Robert Rodriguez, que, em 1994, após os dois primeiros, era então um promissor diretor com uma boa ideia para um roteiro envolvendo o Predador. Esse texto estava guardado na gaveta desde aquela época e saiu para delinear a trama de ''Predadores''.
A história reúne um time de mau-encarados de todos os tipos: um mercenário (Adrien Brody), uma sniper do exército israelense (Alice Braga), um membro da Yakuza, e por aí vai. A única exceção é um médico (Topher Grace). Todos os predadores humanos se veem presos em uma estranha floresta, onde invertem os papeis e tornam-se caça, claro, dos famosos alienígenas de dread.
A direção de Nimrod Antal segue à risca a aventura original, apresentando aos poucos os personagens e os divertidos estereótipos (o encrenqueiro, o líder, o silencioso, o observador), que aos poucos vão ganhando o carisma do público, especialmente devido aos conflitos internos. É quando a matança começa.
A trilha sonora homenageia a produção oitentista e a aventura aos poucos vai dando lugar à ficção científica. O ritmo cai a partir da metade e os efeitos especiais de Robert Rodriguez, que fez todo o filme ''em casa'', no seu estúdio em Austin, parecem vindos de um trash-movie, sequer parecem ter sido realizados na mesma época de ''Avatar''. Mas isso não chega a comprometer o resto.
O personagem de Adrien Brody não tem a mesma força de ''Dutch'', no entanto, ''Predadores'' consegue reanimar a franquia e, longe de ser um blockbuster, agrada como uma sequência e um filme de aventura e ficção científica. Custou barato se comparado a grandes produções - foi orçado em US$ 40 milhões e arrecadou US$ 25 milhões no final de semana de estreia nos Estados Unidos. O que deve animar para mais uma continuação. Espera-se que, desta vez, os responsáveis sigam por esse caminho.

mockup