PRECONCEITO EM FAMÍLIA
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quinta-feira, 13 de julho de 2000
Francelino França De Londrina 
Uma autêntica comédia de costumes chega a Londrina nesse final de semana. Corra, que Papai Vem Aí!, com direção e atuação do veterano Ary Fontoura, será apresentada no Teatro Marista, de hoje a domingo. O espetáculo estreou em 1995, em comemoração aos 45 anos de carreira do ator, e percorreu quase todo o País. O texto, escrito nos anos 70 por Ron Clarck e Sam Brodrick, dupla que trabalhou com Mel Brooks, teve a primeira versão brasileira sob o título Freud Explica?.
O diretor e ator Ary Fontoura resgatou o texto renomeando-o para Corra, que Papai Vem Aí!, transportando para o Brasil as situações que no original se referiam à Nova York. No texto, Seu Bené, (Ary Fontoura), típico morador do interior de São Paulo, parado no tempo e de comportamento inflexível, é abandonado pela mulher, dona Arminda (Amélia Bittencourt). Seu Bené vai buscar ajuda na casa do filho, na efervescente cidade maravilhosa e descobre a homossexualidade dele.
Por aí pode-se vislumbrar as artimanhas do filho para disfarçar a realidade para o pai preconceituoso. Os assuntos que abordamos na peça continuam palpitantes, pois não foram resolvidos ainda hoje. E além disso, há uma geração toda que não conhece a peça, diz Ary. Para o ator, os autores Ron Clarck e Sam Brodrick tratam o assunto com extrema delicadeza. O preconceito é esmiuçado de forma ampla, abrangendo a situação da mulher e a intransigência do homem diante de determinados fatos.
A formação teatral de Ary Fontoura se deu em Curitiba, onde trabalhou por 32 anos, antes de se transferir para o Rio de Janeiro. No percurso artístico de Ary Fontoura, há uma passagem por Londrina, em 1952, quando cantou na Rádio Londrina (ZYD4), por seis meses. Foi uma fase maravilhosa da minha vida. Na época, só existia a Avenida Paraná e aquele poeirão todo, relembra o ator.
Ele considera a comédia de costumes, gênero no qual esse texto se insere, importante para a formação de platéia no Brasil, ainda distante do teatro. No extenso currículo do ator, estão montagens de textos clássicos como Rasga Coração (Oduvaldo Vianna Filho), Sábado, Domingo e Segunda (Eduardo Felipe), Assim é se lhe Parece (Luigi Pirandello), Ópera do Malandro (Chico Buarque) e Corações Desesperados (Flávio de Souza), entre outros.
A longevidade do espetáculo fez com que cidades como Porto Alegre, Curitiba e Santos tenham recebido Corra, que Papai Vem Aí! por duas temporadas.
Corra, Que Papai Vem Aí! De Ron Clarck e Sam Brodrick, tradução de Marisa Murray e direção de Ary Fontoura. Com Ary Fontoura, Amélia Bittencourt, Leandro Ribeiro, Rafael Camargo e Luciana Coutinho. Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 241). Hoje e amanhã às 21 horas. Domingo às 19 horas. Ingressos: R$ 20,00 (Estudantes com carteirinha e aposentados pagam R$ 10,00).


