Elogiado pela crítica e dividindo opiniões do público no Festival de Cannes, no Festival de Londres e no European Film Awards, o filme ''Precisamos Falar Sobre o Kevin'' - estreia desta semana na programação nas salas do Cine Com-Tour/UEL e do Cine Lumiére - abre as portas para uma perturbadora jornada psicológica, que introduz lentamente o espectador à psique de uma mãe assombrada pelos fantasmas de seu passado.

''Mamãe era feliz antes de o pequeno Kevin aparecer, sabia?'', desabafa Eva (Tilda Swinton), encarando nos olhos o seu problemático filho. A declaração ríspida não é à toa; mesmo ainda sendo uma criança, já é possível identificar uma imensa crueldade nos olhos e nos atos do garoto (Jasper Newell). Mimado e sem limites, Kevin chora sem parar, espalha comida nas paredes e não responde aos estímulos e brincadeiras de ninguém. Ele não é autista, ele não é deficiente auditivo, ele é, simplesmente, mal.

Como se revirássemos páginas desordenadas nas memórias maternas de Eva, o filme, em sua maior parte, é submerso dentro de uma aura fantasmagórica, muitas vezes embaçada. Fragmentado dentro de uma estrutura repleta de flashbacks e de elipses temporais não-lineares, o longa é dirigido de maneira competente pela cineasta Lynne Ramsay, que consegue estabelecer um clima angustiante.

A trilha sonora e os ângulos inesperados de câmera também são cuidadosamente planejados, justamente para causar um desconforto, que permanece latente durante toda a projeção. A narrativa fica ainda mais dramática porque, entre um fragmento e outro, conseguimos deduzir qual vai ser o terrível (e esperado) desfecho da história.

Leia mais na crítica de Rafael Ceribelli

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