'Precisamos de boa literatura'
Apesar da intenção de ajudar o mercado cultural na cidade, a aprovação da lei está longe de ser unanimidade. Entre os próprios produtores culturais, existem opiniões divergentes e muitas dúvidas. ''Quem vai fiscalizar isso? Qual é o objetivo dessa ideia? Eu vou ser consultado, se eu quero ou não, estar presente em uma prateleira exclusiva?'', questiona o professor e escritor Rogério Ivano, duvidando da eficiência real do projeto. ''Querem dar visibilidade ao autor londrinense? O caminho não é por aí. Para mim, parece que é mais uma lei que logo vai ser esquecida'', critica.
Na opinião de Rogério - autor de cinco livros publicados - o projeto de lei causa um alarde desnecessário, e não cumpre o objetivo de divulgar corretamente a cultura local. ''Quem precisa buscar visibilidade é o próprio autor, através de um corpo-a-corpo sistemático com o trabalho que ele desenvolve. É sempre possível colocar um livro à mostra, promover lançamentos, vender em festivais ou em movimentos culturais'', aponta o professor, indicando opções que podem ser abertas para o reconhecimento de uma obra cultural. ''Em primeiro lugar, interessa se o produto é bom, e não se ele se encaixa em algum benefício legislativo'', ressalta. ''Por isso mesmo, essa é uma iniciativa completamente irrelevante. Nós não precisamos da força da lei. Nós precisamos de boa literatura, que seja competente, e que ganhe as prateleiras independente de favores e privilégios'', completa. (R.C.)





