Os colecionadores preferem os discos de vinil, mas algumas coleções históricas de CDs ameaçam cortar a fidelidade ao velho formato. É o caso da série ''100 Anos de Música no Brasil'', que pinça 70 álbuns dos arquivos da Odeon, selo já extinto da gravadora EMI.
As gravações retornam ao mercado remasterizadas, preservando a arte de capa e com as contracapas e fichas técnicas originais reproduzidas nos encartes. O samba e suas variantes menos ortodoxas como bossa nova, samba jazz e samba soul predominam na coleção cujo valor arqueológico parece suplantar eventuais deslizes nas escolhas.
Uma primeira fornada foi lançada em novembro do ano passado reunindo títulos de artistas como Elza Soares, Toni Tornado, João Donato, Som Imaginário e Quarteto Novo. O segundo lote chega às lojas nesta semana de feriado, completando o ciclo de resgates em comemoração ao aniversário de 100 anos da gravadora no país.
O novo pacote garimpa 25 discos num arco temporal que vai de ''Brasil Dia e Noite'', lançado pelo maestro Luiz Arruda Paes e sua Orquestra em 1956, a ''La Famiglia'', lançado pelo grupo paulistano Skowa & a Máfia em 1989. A década de 50 é revisitada ainda nos álbuns ''Estúpido Cupido'' (1959), de Celly Campello, e ''Lúcio Alves, Sua Voz Íntima, Sua Bossa Nova Interpretando Sambas em 3-D'' (1959), de Lúcio Alves.
A década de 60 aparece em reedições de Sérgio Ricardo (''Não Gosto de Mim'', 1960), Bossa 3 (''Os Reis do Ritmo'', 1966), Rosa Maria (''Uma Rosa com Bossa'', 1966), Elza Soares (''Elza, Carnaval e Samba'', 1969), Antonio Adolfo e a Brazuca (''Antonio Adolfo e a Brazuca'', 1969) e Marcos Valle (''Mustang Cor de Sangue'', 1969).
A maioria dos títulos vem dos anos 70, destacando trabalhos de Golden Boys (''Fumacê'', 1970), Pixinguinha (''Som Pixinguinha'', 1971), Eliana Pittman (''Eliana Pittman'', 1972), Coro dos Compositores da Portela (''Minha Portela Querida Sambas de Terreiro'', 1972), Cassiano (''Apresentamos o Nosso Cassiano'', 1973), Edu Lobo (''Edu Lobo'', 1973), Som Imaginário (''Matança do Porco'', 1973), Ribamar (''Noites Cariocas'', 1975), Wanderléa (''Vamos que eu Já Vou'', 1977), Nadinho da Ilha (''Cabeça Feita'', 1977), Dilermando Pinheiro (''Batuque na Palhinha'', 1977), Wagner Tiso (''Wagner Tiso'', 1978), Doris Monteiro e Lucio Alves (''Doris Monteiro e Lucio Alves no Projeto Pixinguinha'', 1978) e Lô Borges (''A Via Láctea Vamos que Eu Já Vou'', 1979).
A década de 80 contribui com o álbum homônino de César Camargo Mariano e Hélio Delmiro, além do já citado disco de Skowa & a Máfia. Toda a empreitada contou com a colaboração de Charles Gavin, pesquisador e baterista dos Titãs que selecionou e masterizou o material. A tiragem de cada CD é limitada a 2 mil cópias. Convém correr às lojas.

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