Pré-estréia de 'Oriundi' atrai tietes
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
A pré-estréia de Oriundi, na sexta-feira, tinha apenas dois artistas famosos: Paulo Betti e Letícia Spiller. Foi o suficiente para a tietagem e distribuição de autógrafos. Letícia, sem trocar o papel de mãe pelo de atriz glamourosa, furava o bloqueio dos fãs carregando o filho Pedro, sonolento, por volta das 22 horas. Paulo Betti, que ainda está filmando Chatô faz o papel de Getúlio Vargas escondia a cabeça raspada sob um bonezinho.
O mais eufórico da sessão era o diretor do filme, Ricardo Bravo. Ele comentou que está trabalhando em cima de Os Velhos Marinheiros, de Jorge Amado. Os direitos sobre o livro ainda não foram adquiridos, mas ao mesmo tempo está para ser fechado contrato com uma grande empresa americana para dar o respaldo financeiro. Anthony Quinn deverá atuar no filme como o velho capitão, tendo ao lado outros artistas americanos. A fita será falada em inglês.
O produtor Rubens Gennaro mostrava-se mais calmo sobre o caso do Ministério da Cultura, que não tinha enviado seu filme para ser apreciado pelo júri que escolherá o concorrente brasileiro ao Oscar. Espero que a comissão, que é ilibada, com lisura, analise os aspectos artísticos e cinematográficos de Oriundi e possa indicá-lo. Se isso não ocorrer, vamos entender com um gesto democrático.
Para Letícia Spiller foi maravilhoso fazer o filme, mas a atriz acrescenta que o cinema nacional tem muitos degraus a galgar. Paulo Betti, por sua vez, observou que o brasileiro não prestigia o seu cinema, como acontece em outros países. Há um vírus incubado, e essa contaminação vem de muitas décadas, não é de agora. É o vírus do não gosto de filme nacional. Espero que esses dois filmes em cartaz em Curitiba, Oriundi e Mauá o Imperador e o Rei, ajudem um pouco a gente a botar um pouco de anticorpos contra esse vírus.





