Curitiba - Depois da exibição do filme ''A Taça do Mundo é Nossa'', do grupo Casseta & Planeta, há uma simulação de um debate onde acontecem cenas ainda mais curiosas do que se acabou de ver no longa. Questionando sobre a credibilidade das cenas de explosões que acontecem no filme, um crítico de cinema, por exemplo, tem um fatídico destino após fazer a pergunta. No encontro imaginário, uma fã também pede para tirar fotos com o grupo, interrompendo insolitamente o que seria para ser um ''sério'' debate. A coletiva que parte dos integrantes do Casseta & Planeta concedeu em Curitiba na última quinta-feira, após a exibição do filme para a imprensa, não foi muito diferente do estereótipo criado pelo grupo na telona. Com a exceção de que os jornalistas saíram inteiros fisicamente.
Marcelo Madureira, Beto Silva e Maria Paula, no entanto, não fugiram à regra dos personagens criados para as comédias que interpretam. Destilaram bom humor até mesmo quando a coletiva foi interrompida por uma fã ''amiga do dono do hotel'' em que foi realizado o encontro, para apresentar o filho e falar como ambos gostavam dos integrantes. Diplomaticamente, eles voltaram ao assunto principal: ''A Taça do Mundo é Nossa'', o primeiro de uma série de longas que o grupo ainda pretende lançar e que estréia em todo o Brasil na próxima sexta-feira.
Dirigido por Lula Buarque de Holanda, o filme é ambientado na década de 70 e conta como três ''terroristas'' que se encontram casualmente sequestram a Taça Jules Rimet das mãos da Seleção Brasileira. O filme tem tudo para agradar o grande público no Brasil: brincadeiras sensuais, conferidas à personagem da bela Maria Paula (Lucy Ellen); futebol; brigas; explosões e muito humor, ingrediente principal da trupe que se conheceu na década de 70, exatamente a revisitada no filme.
É claro que ninguém deve esperar um humor refinado ou pelo menos uma pitada de coerência nas piadas (e até do próprio roteiro) do longa. Mas apesar do roteiro também ser assinado pelos integrantes do Casseta, o filme não transporta para a telona os personagens criados para a série televisiva. ''Nós não queríamos fazer nada igual à TV, por isso não usamos nenhum personagem pré-existente'', diz Marcelo Madureira complementando ''Esse não é um filme oportunista, é um filme oportuno''.
Adepto das frases feitas, Madureira não poupou o recurso durante a coletiva. E para explicar a diferença entre o cinema e a televisão ele usa uma delas: ''O cinema é alta costura, a TV é prèt-a-porter'', compara. A idéia de fazer um filme vem sendo trabalhada pela trupe há pelo menos cinco anos. Há dois eles definiram o roteiro e escolheram uma das mais expressivas épocas do País para ambientar a história. Depois de pensar em títulos como ''Rumo ao Oscar'' e ''Abaixo à Ditadura'', eles escolheram ''A Taça do Mundo é Nossa''.
''É uma frase citada diversas vezes durante o filme e também uma deixa conhecida do público'', explica Beto Silva. Ele interpreta o General Manso, um intrépido general que quer recuperar a taça para ser presidente da República. Mas um dos personagens mais engraçados do longa é o interpretado por Bussunda. O avantajado ator vive Wladimir Illitch Stalin Tse Tung Guevara, um ''mauricinho''' que recolhe fragmentos dos principais ícones que lutaram contra a ditadura e junta todos eles para impetrar um discurso que não significa absolutamente nada.
Wladimir divide a sua indignação com o zelo da mãe, Dona Julieta (Reinaldo) que não poupa o filho de mimosos cuidados. Mesmo quando ele encontra Peixoto Carlos (Hubert), um músico frustrado que acha que todos as músicas famosas da época foram surrupiadas dele e Denilson (Hélio de la Penã), um vegetariano adepto da fumaça que qualquer coisa verde possa fazer. Juntos eles criam o Partido Anarco Nacionalista Animalista Carlos (Panac), com o objetivo de revolucionar o mundo.
O filme conta com a participação de alguns jogadores da Seleção Brasileira da época, como Carlos Alberto Torres e Jairzinho. Pelé não pôde participar por uma questão de agenda, mas é muito bem representado por La Pena. A atriz Déborah Secco tabém faz uma participação especial vivendo ela mesma na pele de uma aeromoça.
''A Taça do Mundo é Nossa'' consumiu o investimento considerável de R$ 4,9 milhões para a sua realização. Mas mais surpreeendente é o quanto está sendo gasto em mídia e estratégias de lançamento do longa: R$ 6,5 milhões. O filme estréia na próxima sexta-feira em todo o País com a distribuição de 250 cópias, a mesma distribuição de ''Carandiru'', sobre a batuta da Warner Bros. Picutres. A produção é da Conspiração Filmes.

mockup