PRÉ-ESTRÉIA - Em campo, vampiros e lobisomens
Envelhecido sete meses em relação à estréia americana, somente agora chega ao Brasil este filme que de início parece bem melhor do que a pobreza afinal resultante, depois de duas horas de uma viagem dark que não oferece sequer um resquício de originalidade. Opulento e indigesto mix fashion que põe e sobrepõe fórmulas, personagens, estilos, designs, assimilações, apropriações, transfusões e confusões, o drama de horror ''Anjos da Noite'' está disponível a partir de hoje no circuito nacional apenas em pré-estréias (veja a programação de cinema na página 2).
É uma história de amor e ódio entre vampiros e lobisomens. Como premissa ficcional básica, estimulante. Logo de saída o espectador é informado de que, embora toda a raça humana ignore, está em curso uma guerra entre homens-vampiro e homens-lobo (no filme chamados pretensiosamente de ''licans'', com certeza derivação de ''licântropos''). A vantagem no momento é dos vampiros, mas o placar é apertado. Para tirar a diferença e pelo menos empatar, os lobisomens conseguem um trunfo: raptar um humano, Michael (Scott Speedman), dono do segredo que pode alterar as forças e trazer terríveis consequências para ambas as facções. Trata-se de uma nova espécie de criatura, meio vampiro meio lobo, mas direcionada para favorecer os lobisomens. Uma valente vampira guerreira, Selene (Kate Beckinsale), contrariando a liderança da espécie, vai à luta. Para complicar, ela se apaixona pelo moço. Trata-se, como se nota, de maniqueísmo em chave pós-moderna.
Personagens desnecessários; uma trama completamente perdida nos labirintos da estilização gótica, consequência de rebuscado desenho artístico; uma insistente solenidade que insiste em invadir o território do ridículo; palavrório abundante para tentar justificar a origem ''histórica'' do conflito; vampiros com postura top-model circulando por ambientes de nobre decadência em contraste com os animalescos lobisomens; montagem presunçosa e confusa. Estes alguns dos problemas deste filme que é repositório de referências não filtradas por uma releitura, mas meramente catalogadas e reutilizadas. Lá do fundo de sua poltrona o espectador pode listar, entre outras menos votadas, ''O Corvo'', ''Blade'', ''Entrevista com o Vampiro'', ''A Rainha dos Condenados'', ''Dark City'' e até o mais recente ''Matrix'', ditando os modelitos cyber-punk em couro negro, retinto e reluzente, como convém.
Quem dirige como robô em linha de montagem é Len Wiseman, e os atores, em geral livres de controle, dão espetáculo à parte no quesito overacting.(C.E.L.J.)





