Registros históricos dão conta que o costume de cozinhar carnes em buracos escavados na terra surgiu com os índios. Eles embrulhavam a carne em folhas de bananeira e colocavam no buraco. Tudo isso com um objetivo simples: evitar incêndio na mata. Mais: o método permitia que a carne pudesse ser conservada por até três dias. Por volta de 1580, o sistema adotado pelos índios brasileiros chegou aos espanhóis através dos jesuítas.
A inspiração para o carneiro no buraco, no entanto, veio quase 400 anos depois durante uma sessão de cinema. Ninguém sabe ao certo se foi no Cine Império ou no Cine Mourão - as duas salas de exibições da cidade na época - mas os pioneiros Ênio Camargo, Joaquim Teodoro de Oliveira e Saul Ferreira Caldas assistiram à um filme de bangue-bangue no qual os mocinhos apareciam cozinhando a carne em buracos escavados na terra.
O trio gostou da idéia e passou a fazer testes com o uso de carne de carneiro. Do início da década de 1960, quando o filme foi assistido, até 1991, quando uma lei transformou o carneiro no buraco em prato oficial de Campo Mourão, com direito a festa nacional e tudo, o prato foi sendo aperfeiçoado, até chegar à receita de hoje, que inclui 10 tipos de legumes e frutas. Hoje, não há autoridade que visite Campo Mourão sem saborear o prato típico.
Para preparar o carneiro, é preciso ter paciência. Em cada tacho são colocados 27 quilos de carne de carneiro cortada em pequenos pedaços e deixada de molho por três horas. A carne é intercalada com camadas de legumes e frutas. Enquanto isso, a lenha colocada no buraco deve ficar queimando por duas horas. Só depois disso é que o tacho de 30 polegadas vai ao buraco. São mais seis horas de cozimento sobre a brasa, totalizando 13 horas de trabalho.
Tão esperado quando o carneiro no buraco em si, é o pirão que acompanha o prato. Ele é preparado por último, aproveitando parte do caldo formado durante o cozimento da iguaria, além de alguns tomates e cebolas retirados do tacho. Tudo é misturado com 1,2 quilo de farinha de mandioca torrada e cozido à parte por cerca de 20 minutos. Daí, é só saborear o prato, que é acompanhado de arroz e salada de almeirão.

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