Educar o olhar para aprender a valorizar a história que nos rodeia e que muitas vezes passa despercebida está fazendo parte de um projeto pedagógico que desde o início do ano está sendo desenvolvido com 17 alunos da quarta série e quinto ano da Escola Municial Maria Irene Vicentini Theodoro, em Londrina.
Sob a coordenação da professora regente Lissandra Marques Martins Romagnolli, os alunos estão tendo a oportunidade de conhecer diversos patrimônios históricos da cidade e produzir poesias com as suas impressões, dentro de um projeto focado nesse gênero textual, que também ganhou outras temáticas como o nome do aluno e o Dia das Mães. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com as estagiárias de pedagogia Angélica Maria de Matos e Heloisa Helena Duarte Bezerra, da Universidade Estadual de Londrina. O estágio faz parte do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), que tem coordenação da professora Sandra Regina de Oliveira.
''Tínhamos a referência que essa era uma turma com dificuldade de aprendizagem e estamos felizes em conferir agora o quanto ela está se desenvolvendo bem'', comentam as estagiárias.
A professora Lissandra fala com orgulho dos seus alunos: ''É um trabalho de equipe que está dando bons resultados. Acho que um dos fatores importantes foi trabalhar a questão da responsabilidade com eles, que envolve também a questão da autonomia'', pondera.
Uma das atividades iniciais foi avaliar a noção que os alunos tinham do que é patrimônio histórico. A partir da disposição de fotos e recortes de vários locais e monumentos da cidade - também do exterior - eles tiveram que selecionar aquilo que entendiam como construções com valor histórico. Painéis com as imagens também foram confeccionados.
Depois dessa primeira avaliação, pesquisaram em grupo o conceito de historicidade e realizaram algumas visitas em campo, como à Rua Sergipe onde puderam conferir o novo visual das fachadas dos prédios comerciais após a retirada dos antigos letreiros por determinação da Lei Cidade Limpa. Com menos poluição visual, agora é possível ter uma visão mais abrangente da arquitetura local.
O trabalho de pesquisa ainda incluiu estudos de materiais bibliográficos como a publicação ''As Aventuras do Gato Caixeiro Viajante em Londrina'', escrito por Ana Cláudia Trevisan e Leandro Henrique Magalhães, e ''Aventura Urbana - Trilha Interpretativa'', do arquiteto Humberto Yamaki - material que fez parte de um projeto de educação patrimonial desenvolvido em 2005 com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Um dos pontos que os alunos mais gostaram de visitar foi a Casa Ajimura, bazar com 64 anos de atividade, e a Pastelaria do Jorge, onde puderam se deliciar com a famosa vitamina - cuja receita é guardada a sete chaves - e os apetitosos pastéis fritos na hora.
Munidos de câmeras fotográficas, celulares com câmeras e muita disposição, os alunos tiveram o seu dia de ''repórteres investigativos''. ''Brinquei com eles que no dia do passeio eles tinham de imaginar que eram os fotógrafos da Folha de Londrina, que precisavam prestar atenção em tudo e registrar bem o que estavam observando'', lembra a professora. ''E foi interessante como levaram a sério a proposta do trabalho. Não ficaram fazendo brincadeiras e nem fazendo fotos posadas do 'estilo Facebook''', acrescenta.
Os registros feitos pelos alunos viraram material de trabalho na aula de informática sob a orientação da professora Daniela Cesar. Utilizando a ferramenta do Power Point, eles confeccionaram uma apresentação sobre os pontos históricos visitados, inclusive com legendas elaboradas por eles.
As poesias dos alunos inspiradas no patrimônio histôrico de Londrina foram digitadas e ganharam desenhos feitos no computador. Uma coletânea de todas as poesias está sendo organizada e poderá ganhar uma versão impressa em formato de livro. E como disse a pequena Yasmin em seu poema, a ''rua dos sonhos'' passou a fazer parte da realidade deles.

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