Nas aulas de arte da professora Patrícia Reis de Souza o estudo da relação das cores, simetria e harmonia nos desenhos ganhou nas mandalas feitas com frutas um aliado a mais para um aprendizado estético mais amplo. Para os 175 alunos do oitavo e nono ano do ensino fundamental do Colégio Aplicação, de Londrina, a atividade criativa chamou a atenção por sair da rotina e proporcionar uma experiência diferenciada.
A iniciativa vem ao encontro da proposta pedagógica apresentada neste ano, pela instituição, denominada ''A escola que temos e a escola que queremos''. ''Os alunos sentem falta desse tipo de trabalho, que gere um movimento de transformação. E reagem com alegria e satisfação'', afirma a professora.
O desenho circular (normalmente com um ponto central) - que tradicionalmente caracteriza a mandala - foi uma novidade para os alunos e muitos se surpreenderam em aprender que uma mandala pode dizer muito sobre as emoções internas. Aliás, acredita-se que as mandalas se encontrem igualmente na raiz de todas as culturas, e estejam presentes em todo ser humano como padrão arquetípico de comportamento.
''Trabalhei com eles conceitos de arte-terapia que já havia trabalhado com outros tipos de público, em hospitais, por exemplo, e foi interessante observar o quanto eles aceitaram bem a proposta'', conta Patrícia. ''O incentivo a uma alimentação mais saudável não foi o foco principal da atividade, mas acabou sendo uma consequência positiva. Muitos alunos comeram algumas frutas pela primeira vez e passaram a se interessar mais por esse tipo de alimento'', acrescenta a professora, que é vegetariana.
Cores quentes e frias, texturas, aromas e ''tintas vivas'' feitas com frutas batidas - como a amarela feita da mistura com mamão e manga e a verde, resultado de abacate batido com kiwi - fizeram parte do trabalho que movimentou a escola. Pelo seu aspecto psicológico, a confecção da mandala exige uma certa organização interna para que consiga ser elaborada. ''O trabalho mexe com questões relacionadas à capacidade de concentração, de organização de ideias'', exemplifica a educadora, cujo trabalho se espelha no da pesquisadora Ana Branco, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. ''As pessoas costumam apenas pensar em arte de uma forma tradicional, mas a arte está presente em tudo. Trabalho com a ideia do alimento vivo'', explica.
Divididos em grupos, os alunos se organizaram para comprar uma grande variedade de frutas a serem utilizadas nas aulas, como morango, kiwi, melancia, goiaba e graviola. Aprender a descascar, cortar e picar frutas também acabaram sendo atividades divertidas. Animados com a iniciativa e satisfeitos com as ''obras'' de arte comestíveis que foram surgindo, no final os alunos ainda se dispuseram a limpar o refeitório. ''Esse senso de colaboração e trabalho em grupo me chamou a atenção. É sinal de que a atividade conseguiu sensibilizá-los de alguma forma, estimulando a autoestima, empatia e criatividade'', destaca a aluna de psicologia Rhagna Beatriz Lemos, que acompanhou um dia de aula prática.
Vale informar que as sobras de frutas são reaproveitadas para o lanche de outros alunos e as cascas de frutas são encaminhadas como lixo orgânico para compostagem no campus da Universidade Estadual de Londrina.
Para o próximo mês, os alunos estão se organizando para pintar telas para decorar os corredores do colégio; posteriormente será pintada a parte externa dos muros da instituição.

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