Logo na entrada da sala de aula, os alunos são recepcionados de forma empolgada com expressões de saudação típicas da língua inglesa - que é bastante utilizada no decorrer da aula. ''Hello'', ''good morning'', ''good afternoon'', ''how are you today'' fazem parte do vocabulário do dia a dia escolar dos 110 alunos do quarto e quinto anos da Escola Municipal Cecília Hermínia Oliveira Gonçalves, de Londrina.
Em um ambiente bastante motivador e divertido, a professora Telma Andrade de Carvalho Pitta não mede esforços para contagiar os alunos com relação à importância do aprendizado do inglês - língua estrangeira que aprendeu a gostar durante o curso de Letras, já que a sua paixão à primeira vista era o francês.
Sempre buscando formas mais criativas de ensinar a língua inglesa, ela conta que uma atividade realizada no ano passado motivou neste ano a elaboração de um projeto que inclui a troca de cartas em inglês entre os alunos de Londrina e da Escola Municipal Izair Lago, em Quatro Barras, cidade que fica a 25 quilômetros de Curitiba.
Tudo começou com a leitura de um texto que faz parte de uma material didático elaborado dentro do projeto Londrina Global, produzido pela Secretaria Municipal de Cultura. O material contava a história de um indiano - o Rajagopalan que troca cartas em inglês com duas crianças londrinenses (Giovanna o Rafael) - e decide conhecer pessoalmente Londrina. Aqui, ele visita vários pontos turísticos e também contribui para atividades didáticas.
Os alunos ficaram encantados com a possibilidade do inglês ser a língua comum que permitiu a comunicação entre pessoas de culturas tão diferentes. A partir do interesse deles, surgiu a ideia de trocarem cartas em inglês com crianças de outra cidade. A opção por Quatro Barras ocorreu após uma visita de cunho particular que a professora fez ao local e do convite para ela trocar ideias didáticas com os professores de inglês do município, que possui, segundo Telma, um padrão de educação pública acima da média.
''No início estudamos também questões geográficas, comparando a distância entre o Brasil e a Índia, e os meios de transporte em inglês. Com a participação de Quatro Barras, estamos também estudando a distância da cidade com relação a Londrina, entre outros aspectos educacionais'', explica Telma, que no ano passado também organizou um coral de músicas em inglês com os alunos que até rendeu apresentações fora da escola.
Atualmente os alunos estão finalizando o estudo do formato de carta informal, do vocabulário específico - incluindo a forma adequada de fazer uma breve apresentação pessoal, hábitos e características físicas. Alguns alunos já estão com o rascunho pronto e a orientação é que sempre utilizem o dicionário para esclarecer as dúvidas que forem surgindo antes dos textos serem revisados pela professora e enviados pelos alunos.
''Sempre insisto para que eles não recorram ao tradutor automático do Google. Essa ferramenta apresenta muitas falhas, não contextualiza o uso dos termos e passa uma informação incorreta. Eles têm uma falsa impressão de que estão aprendendo'', ressalta a professora, que não é adepta de material didático único. ''Acho que isso restringe demais o trabalho em sala de aula e acaba limitando a importância da espontaneidade no processo de aprendizagem'', acrescenta a educadora, que tem 29 anos dedicados ao magistério e ainda demonstra grande satisfação quando fala do seu trabalho.
A próxima etapa do projeto será a elaboração de um vídeo gravado em inglês com os alunos falando aos de Quatro Barras sobre as diferenças regionais entre as duas cidades como forma de colocar em prática o uso dos termos comparativos em inglês. Os alunos já sabem, por exemplo, que ''Quatro Barras is colder than Londrina'' (ou que ''Londrina is hotter than Quatro Barras''), assim como ''Quatro Barras is smaller than Londrina'' (ou que ''Londrina is bigger than Quatro Barras'').
Com a instalação dos computadores na sala de informática da escola, que deve acontecer em breve, a intenção é que os alunos também possam se aventurar na troca de e-mails em inglês com os novos amigos, que ainda não têm nome nem rosto. Para o ano que vem, a professora está preparando uma outra 'good idea'. Como irá visitar os dois filhos que moram em Sydney, na Austrália, ela irá aproveitar para contactar uma escola australiana para fazer uma extensão internacional do seu projeto.

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